Logo Bandnews FM
BandNews FM

Andreazza: Fala de Valdemar é “esculacho” e expõe apropriação das emendas

Colunista cobra que Dino declare inconstitucionalidade de repasses

Da redação
DA REDAÇÃO

16/07/2026 • 15:15 • Atualizado em 16/07/2026 • 15:15

Tem método, com Carlos Andreazza
Resumo

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou que presidentes de 21 partidos com representação no Congresso prestem esclarecimentos sobre a gestão de emendas parlamentares, após Valdemar Costa Neto admitir o controle desses recursos por dirigentes partidários.

O colunista Carlos Andreazza classificou as declarações como "sincericídio", destacando a existência de uma oligarquia parlamentar e a apropriação do orçamento público por líderes partidários, que atuam como proprietários dos mandatos e terceirizam o uso das emendas.

O STF estabeleceu prazo de dez dias úteis para resposta dos partidos, enquanto Andreazza defende que o tribunal declare a inconstitucionalidade das emendas de comissão, criticando a atuação do Supremo como regulador e cobrando mais rigor técnico no controle de constitucionalidade.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta quarta-feira (15), que os presidentes de 21 partidos com representação no Congresso prestem esclarecimentos em até dez dias úteis sobre a gestão de emendas parlamentares. A decisão ocorre após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitir em entrevista que dirigentes partidários controlam a destinação desses recursos.

Compartilhar

O colunista político e âncora da BandNews FM, Carlos Andreazza, classificou as declarações como um "sincericídio" que escancara a existência de uma oligarquia parlamentar, termo usado por Dino na decisão, na qual caciques políticos se apropriam das emendas dos parlamentares eleitos.

A "terceirização ilegal" e a apropriação do orçamento público

A intimação do STF foca em descobrir se os presidentes de partidos dispõem de "cotas" ou reservas de recursos do orçamento federal. A Polícia Federal já investiga a atuação de dirigentes como Valdemar Costa Neto e o ex-deputado Eduardo Cunha na intermediação de verbas.

Na semana passada, Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL sob a suspeita dessa prática ilegal.

Para Andreazza, o caso evidencia uma perversão completa da lógica democrática por meio de uma "privatização" informal das emendas. Segundo o colunista, os líderes partidários atuam como proprietários dos mandatos dos parlamentares e terceirizam o uso dos recursos públicos através de fachadas como as chamadas emendas de liderança e de comissão.

"Trata-se de uma apropriação via terceirização de algo que já estava privatizado. O presidente do partido confunde a propriedade da sigla com a propriedade das prerrogativas do representante eleito, o que é um verdadeiro esculacho na lógica orçamentária”, avalia o colunista.

Prazo de resposta e cobrança por inconstitucionalidade

Com o prazo de dez dias úteis em curso, os 21 partidos que tem representantes no Congresso deverão responder formalmente ao STF se utilizam estruturas paralelas para gerenciar recursos públicos. Apesar de apoiar o movimento de Dino, Andreazza defende que o Supremo deve agir com mais rigor técnico, declarando de vez a inconstitucionalidade total das emendas de comissão.

De acordo com Andreazza, o STF não deveria buscar termos de acordo ou atuar como um mero regulador do fluxo financeiro, mas sim exercer o controle de constitucionalidade.

"Se o ministro está vendo o desrespeito e o vício insanável da terceirização das emendas, o que ele está esperando para declarar a inconstitucionalidade das emendas de comissão?", questionou o jornalista.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: