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Carlos Andreazza: se Vorcaro delatar, quem terá independência para ouvir?

Para o colunista, a proximidade do empresário com os chefes da PGR e da PF, além de ministros do STF, lança dúvidas sobre a abrangência de um possível acordo

Da redação
DA REDAÇÃO

16/03/2026 • 11:42 • Atualizado em 16/03/2026 • 11:42

Banco Master

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Reprodução

Resumo

Uma possível delação premiada do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, enfrenta obstáculos devido às suas relações com autoridades de Brasília, incluindo chefes da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal, ambos frequentadores de eventos sociais promovidos por Vorcaro.

O colunista Carlos Andreazza destaca que ministros do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, também participaram desses encontros e são amigos próximos dos líderes da PGR e da PF, levantando dúvidas sobre a aceitação de delações envolvendo figuras do alto escalão do Judiciário.

A análise sugere que Vorcaro pode ser pressionado a fazer uma delação seletiva, concentrando acusações em crimes financeiros ou políticos de menor escalão, enquanto poupa autoridades do Judiciário com quem tem vínculos pessoais.

Uma possível delação premiada do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que recentemente trocou de advogado e agora é representado por uma defesa que aceita o instrumento, pode enfrentar um grande obstáculo: as suas próprias relações com a cúpula do poder em Brasília. A avaliação é do colunista político e âncora do Tem Método, Carlos Andreazza, em análise na manhã desta segunda-feira (16) na Rádio BandNews FM.

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Para Andreazza, a questão não é se Vorcaro irá ou não delatar, mas sim "a quem" e "quem" ele irá delatar.

O colunista destaca que os dois principais caminhos para a negociação de um acordo — a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) — são chefiados por figuras que frequentavam eventos sociais promovidos e pagos pelo próprio banqueiro, o que ele chama de "Clube do Whisky".

Conflito de interesses

Segundo o jornalista, tanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, quanto o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estiveram à mesa de Vorcaro em eventos.

A situação se torna ainda mais complexa, aponta Andreazza, pois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que poderiam ser alvos da delação, também participavam desses encontros e são amigos próximos dos chefes da PGR e da PF.

"Será que nessas condições se aceitaria uma delação em que houvesse ministros do Supremo? Os ministros potencialmente delatados são amigos de Paulo Gonet e amigos de Andrei Rodrigues", disse.

Diante deste cenário, Carlos Andreazza levanta a suspeita de que Daniel Vorcaro poderia ser pressionado ou "dirigido" a firmar um acordo seletivo. Nessa hipótese, a delação se concentraria em crimes financeiros, envolvendo o Banco Central, ou em políticos de menor escalão, como a "turma do Centrão", poupando as figuras do alto escalão do Judiciário com quem mantinha relações.