Na manhã deste sábado (14), o professor e doutor em Relações Internacionais Sidney Leite, em entrevista à BandNews FM, avaliou o cenário atual no Oriente Médio como de escalada perigosa entre Israel e Irã. Para ele, os ataques e contra-ataques recentes configuram um “estado de guerra” entre os dois países.
“O ataque de Israel e o contra-ataque do Irã mostram que temos aí um estado de guerra instalado”, afirmou o especialista. Segundo Leite, não há perspectiva de cessar-fogo no curto prazo, sobretudo pela ausência de um mediador internacional com força política suficiente para conduzir negociações. “Nós não temos, pelo menos até agora, nenhum dos atores protagonistas, tanto globais quanto regionais, assumindo esse papel.”
O professor também destacou que o cenário geopolítico atual é marcado por fragilidades. O Irã, economicamente debilitado e isolado diplomaticamente após perder aliados estratégicos, enfrenta sanções lideradas pelos Estados Unidos que dificultam sua recuperação. Já Israel tem aproveitado o momento para lançar ataques que, segundo ele, têm como objetivo impedir o avanço do programa nuclear iraniano. “Israel, no passado, já atacou o Irã, principalmente alvos ligados ao desenvolvimento da energia nuclear”, lembrou.
Leite ainda criticou a ineficiência do multilateralismo diante da crise. Segundo ele, a fragilidade de organismos internacionais como a ONU e a falta de valores comuns entre as potências agravam o cenário. “Vivemos um momento de grande instabilidade, sem consensos ou princípios compartilhados que poderiam conter conflitos como o que assistimos agora entre Israel e Irã”, disse.
Questionado sobre possíveis reformas no Conselho de Segurança da ONU, o professor foi cético. “Enquanto não houver disposição entre as grandes potências, principalmente Estados Unidos e China, para rever os métodos de trabalho e os vetos, não haverá avanços concretos. E, neste momento, os Estados Unidos não demonstram intenção de integrar esse esforço multilateral”, concluiu.
Segundo Leite, o que se vê no Oriente Médio é um ambiente inflamado, onde a retórica bélica e os interesses estratégicos se sobrepõem às tentativas de diálogo. “Estamos mais próximos de um novo ataque do que do início de um processo de mediação que leve a um cessar-fogo.”
* O texto acima usou Inteligência Artificial para transcrição, mas foi editado por um(a) jornalista.
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