
Copom mantém Selic em 15% pela terceira vez consecutiva
Reprodução: Marcos Santos/USP Imagens
Resumo
Decisão do Copom mantém taxa Selic em 15% ao ano, valor mais alto desde 2006.
Unanimidade marca a votação do Copom, que opta pela terceira manutenção consecutiva da taxa de juros, em meio a incertezas fiscais e externas, destacando a possibilidade de manter a taxa elevada por um período prolongado.
Economista Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa analisa que a decisão reflete preocupações com inflação acima da meta, mercado de trabalho aquecido e deterioração das contas externas, reforçando a necessidade de uma política monetária conservadora.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (05), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, confirmando as projeções da maior parte dos analistas do mercado financeiro. É o maior nível da taxa desde 2006.
A votação teve um resultado unânime e é a terceira manutenção consecutiva desde que o Copom paralisou os cortes dos juros em julho deste ano. A decisão ocorre em um momento de desaceleração gradual da economia e de valorização do real, fatores que costumam reduzir a pressão sobre os preços.
A próxima e última reunião anual do Copom será nos dias 9 e 10 de dezembro. O Comitê divulgou que considera incerto quando fará cortes e exige cautela na condução da política monetária, citando novamente a manutenção de juros por um longo período para levar a inflação da meta.
Expansão fiscal e incertezas externas pesam na decisão
Segundo o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, a manutenção dos juros indica que a autoridade monetária ainda vê riscos relevantes no cenário doméstico e internacional. O especialista destaca que, apesar de alívio nos indicadores recentes, a inflação corrente e as expectativas inflacionárias permanecem acima da meta definida para o ano.
Ele declarou que a combinação entre expansão fiscal, mercado de trabalho aquecido e deterioração das contas externas contribuiu para uma postura mais conservadora do Copom.
“Esse quadro, somado à resiliência do mercado de trabalho e às elevadas incertezas externas, derivadas da política comercial norte-americana e da deterioração das contas externas brasileiras, justifica a manutenção de uma postura monetária cautelosa”, afirmou Ruiz de Gamboa.
O economista ressalta ainda que o comunicado do Copom, tradicionalmente divulgado junto à decisão, será fundamental para interpretar os próximos passos da política monetária.
“É importante observar se a decisão foi unânime e se haverá alguma sinalização sobre o início de um eventual ciclo de redução dos juros básicos. Essa sinalização poderá estar implícita na projeção do Comitê para a inflação no horizonte relevante da política monetária”, concluiu.
O resultado da reunião desta semana reforça o tom de cautela do Banco Central, que busca equilibrar o controle da inflação com o estímulo à atividade econômica, em um contexto de pressões fiscais e incertezas externas.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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