
CPMI do INSS
Geraldo Magela/Agência Senado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS deve ouvir, nesta quinta-feira (25), Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”. Ele é apontado como um dos principais articuladores do esquema criminoso que teria desviado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários em todo o país. A presença foi confirmada pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Além de Antunes, também é investigado o empresário Maurício Camisotti, que assim como ele está preso preventivamente. Segundo as apurações, ambos comandavam a rede de fraudes que envolvia falsificação de documentos, concessão irregular de benefícios e movimentações financeiras ilícitas.
A expectativa para o depoimento
O senador Carlos Viana afirmou que existe um acordo firmado para garantir a presença do investigado na sessão, depois de episódios anteriores em que ele não compareceu. O parlamentar destacou que o compromisso foi confirmado pelo advogado de defesa e autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós vamos ouvir um dos nomes mais importantes deste esquema. Temos a liberação do STF e o compromisso da defesa de que ele participará, ainda que se mantenha em silêncio”, disse Viana.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), reforçou a importância do depoimento para esclarecer os vínculos políticos e financeiros da organização.
Prisão em flagrante durante os trabalhos
Na última sessão, a CPMI decretou a prisão em flagrante de Rubens Oliveira Costa, acusado de ser o administrador financeiro das empresas ligadas a Antunes. O parlamentar Carlos Viana alegou que Costa cometeu falso testemunho e ocultou documentos relevantes para a investigação.
Apesar da decisão, o empresário pagou fiança e foi liberado durante a madrugada. Em depoimento, negou ter sido sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes ou participado do pagamento de propinas, mas reconheceu que gerenciava as finanças de quatro empresas ligadas ao acusado.
Esquema bilionário contra aposentados
A investigação aponta que a quadrilha se estruturou em diferentes frentes, envolvendo intermediários, empresários e servidores públicos. Estima-se que o esquema tenha desviado mais de R$ 6 bilhões de recursos destinados a aposentadorias e pensões.
A expectativa dos parlamentares é que o depoimento do “careca do INSS” ajude a esclarecer a cadeia de comando do grupo e revele a participação de agentes políticos que, segundo o relator, ainda permanecem ocultos.
Repercussão política e próximos passos
O senador Carlos Viana ressaltou que a comissão deve avançar nas próximas semanas para identificar os beneficiários indiretos das fraudes, incluindo possíveis financiadores. O relator Alfredo Gaspar defendeu que a CPMI não pode recuar diante da pressão:
“O poder político escondido um dia vai aparecer, mas só vai aparecer se esta CPMI tiver a coragem de enfrentar aqueles que meteram a mão no dinheiro dos aposentados”, afirmou.
A oitiva de Antônio Carlos Camilo Antunes, considerado peça central no esquema, é vista como decisiva para consolidar provas e ampliar o alcance da investigação.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.


