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Brasil

CPMI do Banco Master "nasceu morta" no Congresso, diz Mônica Bergamo

Colunista da BandNews FM detalha por que investigação sobre fraude bilionária não deve avançar no Legislativo

3 min

04/02/2026 13:49 • Atualizado há 262 dias

CPMI do Banco Master "nasceu morta" no Congresso, diz Mônica Bergamo

Apesar de ter reunido as assinaturas necessárias, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo do Banco Master enfrenta um futuro incerto no Congresso Nacional. A colunista da BandNews FM Mônica Bergamo aponta que a iniciativa já "nasceu morta" devido a uma série de entraves políticos e protocolares que adiam sua instalação e ameaçam seu andamento.

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Ela explicou nesta quarta-feira (4) que, mesmo com a oposição tendo conseguido mais de 280 deputados e 42 senadores para a instalação automática da comissão, há etapas cruciais a serem cumpridas. Essas etapas dependem diretamente da atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Entraves políticos e protocolares

Para que a CPMI seja instalada, Alcolumbre precisa reunir as duas Casas em uma sessão conjunta do Congresso para então ler o pedido. Somente após essa leitura, a comissão poderia ser efetivamente instalada, com a indicação de nomes pelos partidos.

Mônica Bergamo trouxe a informação, fundamentada em conversas com parlamentares experientes, que Alcolumbre não demonstrará pressa em instalar a CPMI, projetando que todo o processo seja protelado para depois do Carnaval.

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Apesar de não haver oposição declarada publicamente contra a CPMI, há uma forte movimentação de bastidores. Lideranças influentes do Centrão agem para barrar a investigação, mesmo com a coleta de assinaturas.

Historicamente, quando CPMIs com assinaturas não são instaladas, parlamentares costumam recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), que então determina a instalação. No entanto, Mônica Bergamo aponta que o cenário atual é diferente. A chance de o Supremo obrigar o Congresso a instalar uma CPMI que tem entre seus objetivos investigar os próprios ministros da Corte é "praticamente zero".

"A possibilidade de o Supremo chegar lá e canetar e falar não, instale essa CPMI para me investigar, digamos que beira o zero", ressaltou a jornalista.

Na Câmara dos Deputados, também há coleta de assinaturas para CPIs relacionadas ao caso. Contudo, o presidente da Casa, Arthur Lira, já indicou que existe uma fila de requerimentos de CPIs, o que faria com que as novas solicitações tivessem que aguardar sua vez.

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Dessa forma, as investigações sobre as supostas irregularidades na venda de carteiras do Banco Master e as conexões políticas e jurídicas do banqueiro Daniel Vorcaro devem permanecer sob a alçada da Polícia Federal e do Banco Central.

A "operação padrão" em Brasília

O âncora da BandNews FM Luiz Megale observou, durante a conversa com Mônica Bergamo, que há um "freio de mão puxado" em Brasília no que diz respeito ao escândalo do Banco Master. Ele descreveu uma “operação padrão”, em que as lideranças políticas evitam um posicionamento enérgico sobre o caso.

“Não pega bem você não ter opinião a respeito do assunto, não exigir providências”, comentou Megale, destacando a percepção de que “ninguém está partindo para cima com punhos cerrados”. Um clima de espera prevalece para ver “quem é que vai se melecar” quando as informações forem divulgadas.

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Haddad destoa da cautela governista

Mônica Bergamo destacou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma das raras vozes ativas do governo sobre o tema. Haddad tem falado publicamente sobre a necessidade de “seguir a pista do dinheiro”, classificando a situação como “talvez a maior fraude da história”.

Apesar da postura de Haddad, uma parcela importante do governo demonstra preocupação com o escândalo. A avaliação é que o caso pode atingir diversas figuras proeminentes no parlamento.

O governo, que possui uma pauta extensa para aprovar em ano eleitoral, como a jornada de trabalho, busca evitar que o tema desestabilize as relações políticas. O objetivo é não "chacoalhar muito esse assunto para não desestabilizar o andamento e a votação de pautas importantes".

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