Resumo
Discussão sobre cuidados com a pele no verão destacou os riscos da exposição solar, importância do uso correto do protetor solar e prevenção do câncer de pele, com recomendações da dermatologista Suzana Klautau durante o BandNews Em Forma.
Orientação médica enfatizou o uso de protetor solar com FPS mínimo de 30, explicação sobre aplicação correta em diferentes formatos, especialmente o stick, e esclarecimento sobre mitos como o bronzeado saudável e o banho de sol em crianças menores de seis meses.
Alerta sobre alta incidência de câncer de pele no Brasil ressaltou a necessidade de atenção aos sinais na pele, combate à automedicação e reforço do papel da vitamina D obtida por exposição solar breve e suplementação oral em bebês.
Com a chegada do verão e as altas temperaturas, os cuidados com a pele se tornam ainda mais essenciais. Esse foi o tema do BandNews Em Forma deste final de semana. As apresentadoras Isabela Mota e Camila Hirsch receberam a médica dermatologista Suzana Klautau para discutir os riscos da exposição solar e tirar as principais dúvidas sobre o uso correto do protetor solar para prevenir doenças como o câncer de pele, considerado o mais comum no Brasil. A especialista destacou a importância de escolher o fator de proteção adequado, desmistificou crenças populares e explicou como se proteger de forma eficaz.
Proteção solar: o que o FPS realmente significa?
A principal recomendação da dermatologista é o uso de um protetor com Fator de Proteção Solar (FPS) de no mínimo 30. Mas o que esse número representa na prática? A médica esclarece que o FPS indica o tempo a mais que a pele pode ficar exposta ao sol antes de queimar, mas sua eficácia depende da aplicação correta.
Vamos dizer que você é muito sensível ao sol, e com cerca de 5 minutos de exposição solar você já queime. Se você usar um fator 30, você vai demorar 30 vezes 5 minutos pra queimar. Se você usar um 99, você vai levar 99 vezes 5 minutos pra queimar. É basicamente isso que significa. Mas isso a gente trabalha com as condições ideais (...) como se você tivesse aplicado corretamente, na quantidade correta, e como se você estivesse reaplicando corretamente
Como aplicar cada tipo de protetor?
A forma de aplicar também varia conforme a apresentação do produto, e o uso incorreto pode comprometer a proteção. Sobre os protetores em bastão (stick), que se tornaram populares, a médica fez um alerta importante sobre a quantidade.
“O protetor em stick é muito legal, mas a maioria das pessoas falha na hora de aplicar. Porque passa uma vez, especialmente se tiver cor de base, de maquiagem, já cobriu ali a pele (...) e a pessoa já para de aplicar. E na verdade não é assim. A gente pede que a gente divida o rosto em algumas partes e aplique quatro vezes, ida e volta, para garantir a proteção solar do protetor em bastão", orientou.
Crianças, bebês e o mito do "banho de sol"
A exposição solar de bebês só é recomendada após os seis meses de vida. Antes disso, a antiga prática do "banho de sol" para produção de vitamina D é totalmente contraindicada, pois as queimaduras na infância aumentam o risco de desenvolver melanoma na vida adulta.
"É justamente na infância, queimaduras solares, o principal fator de risco para desenvolvimento de melanoma na fase adulta. Então, é uma coisa que a gente leva muito a sério (...) As pessoas ficam: 'ah, mas e a vitamina D?'. Nessa idade a criança está repondo a vitamina D já por via oral até os dois anos de vida, baseado aí pelos guidelines da Sociedade Brasileira de Pediatria. Então, não precisa expor a criança por causa de vitaminas", enfatizou a dermatologista.
Mitos do verão: existe bronzeado saudável?
A médica foi categórica ao afirmar que não existe bronzeamento saudável. A quantidade de sol necessária para a produção de vitamina D é mínima e pode ser obtida em curtas exposições no dia a dia.
Hoje a gente não considera que existe uma quantidade de radiação solar que seja saudável. A gente sabe que a quantidade de sol que precisa pra produzir vitamina D é muito pequena. Eu costumo dizer pro paciente: você não está dirigindo e está pegando sol ali na sua mão? Você não andou para a parada de ônibus? Pronto, já valeu ali pra tua vitamina D. Não precisa mais do que isso.
Câncer de pele: um alerta sobre o perigo silencioso
A dermatologista reforçou que o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil e que a falta de percepção sobre sua frequência é um grande problema, levando à automedicação e ao diagnóstico tardio.
"As pessoas realmente não dão muita importância quando aparece algum sinal novo. Elas costumam esperar, costumam se automedicar. Isso é cultural. Mas, assim, as pessoas não têm ideia do quanto o câncer de pele é comum. Eu queria que elas tivessem essa noção. Ontem, por exemplo, três da tarde, eu já tinha diagnosticado 15 cânceres de pele", revelou.

