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Resumo
Dia Internacional da Saúde Mental: Psiquiatra Daniel Barros discutiu o aumento no reconhecimento e busca por ajuda para transtornos mentais no programa BandNews Station, destacando que um bilhão de pessoas globalmente são afetadas.
Tratamento inadequado: Apesar do aumento na conscientização, 90% das pessoas com transtornos mentais não recebem o tratamento adequado, com muitos nem sequer buscando ajuda ou sendo incorretamente tratados.
Conscientização sobre saúde mental: Uma pesquisa Ipsos indica que 52% dos brasileiros veem a saúde mental como o principal problema de saúde do país, um aumento significativo desde 2018. Daniel Barros enfatiza que sentir emoções negativas é natural e alerta para o perigo de não buscar ajuda quando necessário.
No Dia Internacional da Saúde Mental, marcado nesta sexta-feira (10), o psiquiatra Daniel Barros participou do BandNews Station para discutir os desafios crescentes relacionados ao tema. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um bilhão de pessoas no mundo convivem com algum transtorno mental — número que reflete tanto o aumento dos diagnósticos quanto a ampliação da conscientização sobre o tema.
Barros destacou que, em muitos casos, os números não necessariamente significam que há mais pessoas adoecendo, mas sim mais pessoas reconhecendo sintomas e buscando ajuda. “É bom que os dados cresçam nesse sentido. Não porque estamos ficando mais doentes, mas porque há mais gente entendendo o que sente e procurando tratamento”, explicou o psiquiatra.
Um levantamento global citado por ele mostrou que 90% das pessoas com transtornos mentais não recebem tratamento adequado. “De quem sabe que está doente, só dois terços procuram ajuda. E, entre quem procura, apenas metade é tratada de forma correta. Ou seja, quase ninguém recebe o cuidado necessário”, afirmou.
O que é saúde mental de verdade?
Durante a conversa com Eduardo Barão e Roberta Russo, o psiquiatra comentou a pesquisa Ipsos divulgada nesta semana, segundo a qual 52% dos brasileiros consideram a saúde mental o principal problema de saúde do país, à frente de doenças como o câncer. O dado representa um salto expressivo em relação a 2018, quando apenas 18% tinham essa percepção.
Para Daniel Barros, o resultado mostra maior conscientização, mas também revela equívocos sobre o conceito de bem-estar emocional. “Saúde mental perfeita não existe. A gente se ilude achando que estar saudável é não sentir tristeza, estresse ou angústia. Sentir essas emoções é humano e faz parte da vida. O problema é quando elas não vão embora e passam a atrapalhar o dia a dia.”
Quando procurar ajuda
O psiquiatra reforçou que sentimentos negativos são parte natural da experiência humana, mas é preciso ficar atento quando eles persistem e afetam o funcionamento diário. “Se o sentimento vem e não vai, se começa a atrapalhar trabalho, relações e rotina, é sinal de alerta”, explicou.
E resumiu com um de seus conselhos mais conhecidos:
“Desconfiou, procura. É melhor buscar ajuda e descobrir que não era nada do que ser alguma coisa e não ter procurado.”
Medicalização e excesso de diagnósticos
Questionado sobre o aumento do uso de remédios psiquiátricos, Barros ponderou que o Brasil é o país com maior índice de transtornos de ansiedade do mundo, o que explica, em parte, o consumo elevado de ansiolíticos e antidepressivos.
“É claro que há gente usando medicamento para problemas que não são doenças, mas o problema mais grave ainda é o oposto: há muito mais pessoas doentes que nem sabem que estão doentes”, disse.
Segundo ele, o país enfrenta tanto o excesso de medicalização em alguns grupos quanto a falta de acesso em outros — especialmente nas camadas mais vulneráveis da população. “Em escolas ricas, há crianças diagnosticadas com TDAH sem ter TDAH; nas escolas da periferia, há crianças doentes sem qualquer diagnóstico ou tratamento.”
Cuidar de quem cuida
Barros também fez um apelo em nome dos cuidadores — pessoas que se dedicam integralmente a familiares com doenças crônicas ou limitações. “O cuidador tem uma escala 24x7, sem férias, sem feriado e sem reconhecimento. É essencial cuidar da saúde mental de quem cuida, criar redes de apoio e acionar os recursos do SUS disponíveis.”
Ao encerrar a entrevista, o médico reforçou que buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade. “Cuidar da mente é cuidar da vida”, concluiu.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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