
Daniel Vorcaro está preso
Divulgação/PF
Resumo
Abertura de negociações de delação premiada entre a defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e autoridades como Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal, com assinatura de termo de confidencialidade e expectativa de apresentação de provas e nomes de envolvidos no esquema até o final da semana.
Investigação da Operação Compliance Zero aponta Vorcaro como líder de esquema bilionário de fraudes financeiras, incluindo emissão de títulos falsos, lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, ameaça a jornalistas e ex-funcionários, e pagamento de propina a servidores do Banco Central, resultando em sua prisão e bloqueio de R$ 5,7 bilhões.
Expectativa de que delação, se homologada pelo STF, envolva políticos, empresários e membros do Judiciário, exigindo apresentação de provas concretas e detalhamento da participação dos envolvidos, com possibilidade de benefícios legais para Vorcaro, desde que a colaboração seja completa e não omita nomes.
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do liquidado Banco Master, formalizou o início das negociações para um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). O primeiro passo foi a assinatura de um termo de confidencialidade entre as partes, que estabelece o sigilo das tratativas. A expectativa é que um memorial com os detalhes da colaboração, incluindo nomes de possíveis envolvidos, provas, e a estrutura do esquema criminoso, seja apresentado até o final desta semana.
Preso desde o início de março na Operação Compliance Zero, Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a Superintendência da PF, na mesma cidade. A mudança, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), tem como objetivo acelerar as conversas com os investigadores e facilitar o processo de negociação do acordo. Advogados do banqueiro já se reuniram com o ministro para tratar da colaboração.
A decisão de Vorcaro de colaborar com a Justiça se intensificou após o STF manter sua prisão em regime de segurança máxima. Para a delação, o banqueiro trocou sua equipe de advogados, contratando o criminalista José Luís Oliveira Lima, que já atuou em outros grandes acordos de colaboração, como o do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, na Operação Lava Jato.
As investigações da Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro é investigado por liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, que levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central no final de 2025. As acusações, apuradas na Operação Compliance Zero, incluem a emissão de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e formação de uma "milícia privada" para ameaçar e intimidar desafetos, incluindo jornalistas e ex-funcionários.
A Polícia Federal aponta que Vorcaro teria comandado um grupo para planejar agressões físicas contra profissionais da imprensa. Além das fraudes financeiras, a investigação apura o pagamento de propina a servidores do Banco Central em troca de informações privilegiadas. Na operação que resultou na prisão do banqueiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões.
O que esperar da delação
A expectativa em Brasília é que o acordo de delação de Daniel Vorcaro, caso seja homologado pelo STF, tenha potencial para atingir figuras importantes dos três Poderes. Segundo fontes próximas à investigação, a lista de nomes a serem delatados pode incluir políticos, empresários e membros do Judiciário, com quem o banqueiro mantinha relações.
Para que o acordo seja validado, a defesa de Vorcaro precisará apresentar provas concretas que confirmem as acusações feitas por ele. Além de confessar os próprios crimes, o banqueiro terá que detalhar a participação de cada um dos envolvidos no esquema. Em troca da colaboração, ele pode obter benefícios legais, como a redução de sua pena. O ministro André Mendonça, no entanto, já sinalizou que não aceitará uma delação "pela metade", que tente preservar eventuais envolvidos.
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