
Guilherme Dias Santos Ferreira
Reprodução/Jornal da Band
O chefe de comunicação da Polícia Militar de São Paulo afirma que é exagero apontar racismo no caso do jovem negro morto por PM que o confundiu com bandido e pede "exercício de empatia" em relação ao policial. Em entrevista à BandNews FM, o coronel Emerson Massera declarou que o agente Fábio de Almeida falhou nos procedimentos de abordagem.
"Ele cometeu um erro, mas foi racismo? Acho que é um exagero dizer que mostra racismo do policial e da Polícia Militar. Não tem amparo em nenhum tipo de evidência", ressalta o coronel. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2024, 8 em cada 10 pessoas mortas por policiais no país são negras.
O PM Fábio de Almeida foi afastado das ruas e ficará no setor administrativo da corporação a partir de agora. Ele responde em liberdade após pagar uma fiança de R$ 6.500 e alega que disparou porque sofreu uma tentativa de roubo momentos antes.
A polícia confirmou que Guilherme Ferreira, de 26 anos, morto após ser baleado na cabeça, foi confundido porque estava correndo para pegar um ônibus. O caso aconteceu em Parelheiros, na zona sul de São Paulo.
“O racismo é algo muito subjetivo. Podemos dizer que tratamos isso com muita seriedade na Polícia Militar. Se houver racismo aqui, certamente é muito menor do que em outro segmento social”, ressalta o coronel Emerson Massera. “É preciso fazer um exercício de empatia para entender que o policial estava sob forte nível de estresse por conta de uma tentativa de roubo. Eram cinco criminosos que investiram contra ele. Debilita a capacidade de avaliação dele”, conclui.
A BandNews FM tenta contato com familiares do Guilherme Ferreira, que já declararam publicamente que vão buscar justiça diante do assassinato dele.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma que promove treinamentos antirracistas e tem um grupo de trabalho coordenado pela Universidade Zumbi dos Palmares.
O reitor da faculdade, advogado José Vicente, explicou que as atividades de conscientização em parceria com a PM não são obrigatórias a todos os agentes e que vai convocar uma reunião emergencial para tratar da questão. "Existe bastante probabilidade de que isso esteja associado à atitude da polícia, em geral, de que negro é sempre suspeito. E, sendo suspeito, você pode reagir a ele da maneira mais contundente possível, inclusive atirando em uma região vital".
A Ouvidoria das Polícias abriu um procedimento para acompanhar o caso. Em nota, o ouvidor Mauro Caseri ressaltou que "não se mata por engano" e que o policial desrespeitou as orientações da corporação ao balear um trabalhador inocente negro, com um tiro pelas costas.
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