
UFRJ
Divulgação/UFRJ
A descoberta da polilaminina e dos efeitos em pacientes com lesões medulares por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro pode mudar a vida de milhões de pacientes pelo mundo. Com efeitos comprovados em lesões medulares recentes, a professora Tatiana Sampaio, que lidera o grupo de pesquisa, contou que também estuda efeitos em lesões medulares crônicas.
"Tem quem pergunte se pode para casos crônicos, mas isso é uma possibilidade e o desenvolvimento está atrasado, precisamos de mais tempo para as respostas", explica. As lesões medulares crônicas são aquelas com mais de um ano e, segundo Tatiana, a cicatrização dificulta o trabalho de recuperação de movimentos e sensibilidade.
"Esse medicamento (polilaminina) hoje é para lesões medulares na fase aguda, nos primeiros dias após o trauma. A medula faz parte do sistema nervoso e as lesões levam a um processo de cicatrização que não favorecem a regeneração e a retomada da funcionalidade", explica.
Por isso, Tatiana afirma que precisa de tempo para ter as respostas sobre a possibilidade de reverter lesões crônicas. "A expectativa é continuar os testes em animais no caso das lesões crônicas e o desenvolvimento em fases agudas, que é o estudo clínico liberado agora. E essas duas coisas devem convergir daqui um ano, dois para então ter o protocolo para pessoas com lesões crônicas", diz.
Apesar da possibilidade de revolução na medicina, Tatiana ainda não vê a polilaminina como cura. " É um trabalho em desenvolvimento, não chamaria de 'a cura', precisamos de mais casos e documentar o quanto podemos reverter a paralisa. Mas acredito que é uma esperança grande para as pessoas", diz.
Anvisa liberou estudos clínicos da polilaminina
A Anvisa anunciou no último dia 5 a liberação da primeira fase dos testes clínicos com uso de polilaminina. A substância atua na regeneração da medula espinhal estimulando a reconexão de neurônios e busca promover a recuperação de movimentos em pacientes com lesões medulares.
A medida acontece após quase três anos do pedido de autorização ser feito a autarquia. Até então, a pesquisa dos membros da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderados pela bióloga Tatiana Coelho Sampaio, ainda estava em testes científicos.
O patrocinador do estudo clínico é a empresa Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. O laboratório será responsável por selecionar, monitorar e acompanhar cinco voluntários que vão receber a substância.
Os pacientes devem ter entre 18 e 72 anos, com perda total de movimento com quadros de paraplegia ou tetraplegia ocorridos há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica. Os locais de realização ainda serão definidos pela empresa e informados à Anvisa. Até o momento, pacientes que receberam a medicação entraram na Justiça para ter acesso ao tratamento experimental.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma substância produzida a partir de uma proteína extraída da placenta humana. Segundo a coordenadora da pesquisa, Tatiana Sampaio, enquanto apenas cerca de 10% das pessoas com esse tipo de lesão costumam recuperar algum movimento naturalmente, o uso da substância elevou esse índice para 75% entre os participantes do estudo.


