
Coreia do Sul
REUTERS/Carlos Barria/Files
Resumo
O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Distrital Central de Seul, após ser considerado culpado de insurreição por decretar ilegalmente a lei marcial em dezembro de 2024 e tentar tomar o parlamento com apoio de forças militares e policiais.
A imposição da lei marcial resultou em forte crise política, resistência popular e destituição de Yoon pelo Tribunal Constitucional em abril de 2025, seguida por novas eleições presidenciais vencidas por Lee Jae-myung, candidato da oposição de esquerda.
O ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, recebeu pena de 30 anos de prisão pelo envolvimento na mobilização das tropas, enquanto a promotoria pedia pena de morte para Yoon, cuja defesa alega legitimidade das ações e pretende recorrer da sentença.
O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira (19) pelo Tribunal Distrital Central de Seul.
A Justiça considerou o antigo líder conservador culpado pelo crime de insurreição ao ter decretado ilegalmente a Lei Marcial em dezembro de 2024, mobilizando forças militares e policiais para tentar tomar o parlamento, que era liderado pela oposição.
A tentativa de golpe
Em um discurso televisionado na noite de 3 de dezembro de 2024, Yoon Suk-yeol anunciou a imposição da lei marcial, uma medida sem precedentes no país desde as ditaduras militares da década de 1980.
O então presidente justificou a ação alegando a necessidade de erradicar "forças antiestatais" e acusando o parlamento de bloquear o orçamento de Estado.
Tropas foram enviadas para cercar a sede do Legislativo em uma tentativa de silenciar opositores.
A medida gerou uma crise política e forte resistência popular, o que levou à destituição dele do cargo pelo Tribunal Constitucional em abril de 2025.
A queda de Yoon levou à convocação de novas eleições presidenciais, que resultaram na vitória de Lee Jae-myung, candidato da oposição de esquerda.
Segunda condenação e outros envolvidos
Esta é a segunda sentença contra o ex-presidente. Em janeiro, Yoon já havia sido condenado a cinco anos de prisão pelo mesmo tribunal, sob a acusação de obstrução de justiça e falsificação de documentos relacionados à declaração da lei marcial.
O ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, também foi condenado a 30 anos de prisão por seu papel central na execução da medida e na mobilização das tropas.
Futuro da defesa
A promotoria pedia a pena de morte para Yoon Suk-yeol, argumentando que as ações do ex-presidente representaram uma grave ameaça à democracia sul-coreana.
A defesa de Yoon, por sua vez, afirma que a declaração da lei marcial foi um exercício legal da autoridade presidencial e que irá recorrer da sentença. Durante o processo, o ex-líder insistiu que "não havia outra opção a não ser tentar despertar o povo, que é soberano".
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