O número de imigrantes que cruzam o Canal da Mancha em direção ao Reino Unido voltou a crescer e reacendeu o debate sobre a crise migratória na Europa. Em participação no Jornal BandNews FM, o correspondente Felipe Kieling explicou que, mesmo com sucessivas promessas de endurecimento no fechamento das fronteiras, os governos britânicos e franceses não têm conseguido conter o fluxo de travessias ilegais.
Segundo Kieling, apenas em 2025, quase 37 mil pessoas já atravessaram o canal em botes infláveis, superando o total registrado no ano passado, de 36,8 mil. Em 2022, o número chegou a 45 mil migrantes. “Durante a pandemia, muitos adiaram a travessia. Quando as restrições caíram, o fluxo explodiu”, destacou o jornalista.
Travessias perigosas e acordos ineficazes
O Canal da Mancha é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo e também uma das mais perigosas. Kieling lembrou que há registros frequentes de mortes durante as travessias. “Imagine cruzar o canal em um bote inflável com 60 ou 70 pessoas, em meio a navios petroleiros, frio intenso e tempestades. É algo extremamente arriscado”, alertou.
Para tentar conter o fluxo, o Reino Unido firmou sucessivos acordos com a França. Londres chegou a pagar para reforçar o patrulhamento da costa francesa, mas sem sucesso. Outro pacto, conhecido informalmente como “um entra, um sai”, previa que cada imigrante ilegal devolvido à França seria compensado pela entrada legal de outro com vínculos familiares ou profissionais no Reino Unido. Nenhum dos acordos, porém, mostrou resultados concretos.
Tráfico de pessoas e impasse político
Felipe Kieling também chamou atenção para o papel dos traficantes de pessoas, que exploram o desespero de migrantes e cobram entre 3 mil e 4 mil euros por vaga nos botes. “É um negócio altamente lucrativo. Um bote com 60 pessoas pode render mais de 200 mil euros em uma única travessia”, explicou.
O governo britânico diz estar perseguindo as redes criminosas, mas os líderes desses grupos geralmente operam fora do país, em regiões do Oriente Médio, da África ou de outros pontos da Europa, o que dificulta investigações. Enquanto isso, a opinião pública pressiona por soluções que garantam segurança e respeito aos direitos humanos.
Para Kieling, a crise se arrasta por sucessivos governos que prometem mudanças e não entregam resultados. “A população quer que os líderes encontrem um meio de acolher quem tem direito de vir e impedir tragédias no mar. Mas nenhum governo até agora se mostrou capaz de resolver o problema”, concluiu.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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