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Gangorra do petróleo atrasa corte dos juros no Brasil, avalia Juliana Rosa

Colunista de economia explica como barril do Brent influencia as políticas monetárias do país

Da redação
DA REDAÇÃO

29/07/2026 • 11:06 • Atualizado em 29/07/2026 • 22:33

Resumo

A volatilidade do preço do petróleo, causada por ataques entre EUA e Irã, está elevando a insegurança global e dificultando decisões sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

No Brasil, a expectativa é de novo corte na taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, impulsionado pela deflação de alimentos e desempenho positivo da Petrobras, mas o Banco Central deve monitorar atentamente impactos externos e incertezas climáticas.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve tende a manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano; o avanço do programa Desenrola e o alto endividamento das famílias brasileiras são fatores relevantes, enquanto instituições financeiras adotam cautela diante do cenário global incerto.

A volatilidade do preço do petróleo está tornando as decisões sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos muito mais complexas, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa. De acordo com a jornalista, a matéria-prima voltou a subir próximo de noventa dólares após ataques entre EUA e Irã, elevando a insegurança global.

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O cenário da taxa Selic no Brasil

No cenário doméstico, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie um novo corte na taxa básica de juros na próxima semana. A jornalista aponta que a Selic, fixada atualmente em 14,25% ao ano, tem margem para queda puxada pela deflação de alimentos na prévia de julho. Contudo, o Banco Central brasileiro precisará monitorar de perto os reflexos econômicos externos para guiar o ritmo desse corte.

A análise do mercado também é influenciada pelo desempenho da Petrobras, que divulgou ontem à noite seu balanço do segundo trimestre. A petroleira reportou um aumento expressivo tanto na produção de derivados quanto na exportação de óleo cru. Apesar da melhora operacional, incertezas climáticas geradas pelo fenômeno El Niño e novos incentivos econômicos do governo demandam cautela.

Decisão nos EUA e a cautela global

Nesta quarta-feira (29), as atenções se voltam para a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Diante do cenário de incertezas, a expectativa é de que a instituição opte por manter a taxa americana, atualmente fixada entre 3,5% e 3,75% ao ano.

A colunista aponta que a flutuação do barril impacta o câmbio mundial, uma vez que juros elevados nos EUA costumam fortalecer o dólar. No mercado brasileiro, o dólar está na faixa de cinco reais e dez centavos, o que atua como um teto de alívio inflacionário.

Os rumos da política monetária nacional

Para os próximos meses, o principal questionamento reside na possibilidade de a taxa Selic atingir um patamar inferior a quatorze por cento. O avanço do programa Desenrola, anunciado pelo governo federal para renegociação de dívidas, busca aliviar o alto endividamento das famílias brasileiras. Esse estímulo ao consumo, no entanto, é outro fator que a autoridade monetária deve colocar em sua balança.

Segundo Juliana, em um ambiente comparado a dirigir sob forte neblina, as instituições financeiras tendem a adotar posturas mais conservadoras. A evolução do conflito no Oriente Médio e seus reflexos no mercado de energia seguirão ditando o ritmo das políticas econômicas globais.