Resumo
A volatilidade do preço do petróleo, causada por ataques entre EUA e Irã, está elevando a insegurança global e dificultando decisões sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
No Brasil, a expectativa é de novo corte na taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, impulsionado pela deflação de alimentos e desempenho positivo da Petrobras, mas o Banco Central deve monitorar atentamente impactos externos e incertezas climáticas.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve tende a manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano; o avanço do programa Desenrola e o alto endividamento das famílias brasileiras são fatores relevantes, enquanto instituições financeiras adotam cautela diante do cenário global incerto.
A volatilidade do preço do petróleo está tornando as decisões sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos muito mais complexas, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa. De acordo com a jornalista, a matéria-prima voltou a subir próximo de noventa dólares após ataques entre EUA e Irã, elevando a insegurança global.
O cenário da taxa Selic no Brasil
No cenário doméstico, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie um novo corte na taxa básica de juros na próxima semana. A jornalista aponta que a Selic, fixada atualmente em 14,25% ao ano, tem margem para queda puxada pela deflação de alimentos na prévia de julho. Contudo, o Banco Central brasileiro precisará monitorar de perto os reflexos econômicos externos para guiar o ritmo desse corte.
A análise do mercado também é influenciada pelo desempenho da Petrobras, que divulgou ontem à noite seu balanço do segundo trimestre. A petroleira reportou um aumento expressivo tanto na produção de derivados quanto na exportação de óleo cru. Apesar da melhora operacional, incertezas climáticas geradas pelo fenômeno El Niño e novos incentivos econômicos do governo demandam cautela.
Decisão nos EUA e a cautela global
Nesta quarta-feira (29), as atenções se voltam para a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Diante do cenário de incertezas, a expectativa é de que a instituição opte por manter a taxa americana, atualmente fixada entre 3,5% e 3,75% ao ano.
A colunista aponta que a flutuação do barril impacta o câmbio mundial, uma vez que juros elevados nos EUA costumam fortalecer o dólar. No mercado brasileiro, o dólar está na faixa de cinco reais e dez centavos, o que atua como um teto de alívio inflacionário.
Os rumos da política monetária nacional
Para os próximos meses, o principal questionamento reside na possibilidade de a taxa Selic atingir um patamar inferior a quatorze por cento. O avanço do programa Desenrola, anunciado pelo governo federal para renegociação de dívidas, busca aliviar o alto endividamento das famílias brasileiras. Esse estímulo ao consumo, no entanto, é outro fator que a autoridade monetária deve colocar em sua balança.
Segundo Juliana, em um ambiente comparado a dirigir sob forte neblina, as instituições financeiras tendem a adotar posturas mais conservadoras. A evolução do conflito no Oriente Médio e seus reflexos no mercado de energia seguirão ditando o ritmo das políticas econômicas globais.
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