
Maternidade pública no Haiti
MSF
Enquanto o mundo acompanha a grave crise humanitária na Venezuela depois do terremoto da semana passada, outro país da América Latina também enfrenta uma das fases mais difíceis dos últimos cinco dias. A violência e a disputa entre facções criminosas levaram a ONG Médicos sem Fronteiras a desativar uma das únicas maternidades públicas do Haiti.
Hoje, mais de 60% das estruturas de saúde não funcionam no país, seja por falta de estrutura, equipe ou segurança. Uma delas é a maternidade Isaïe Jeanty, que fica em Cité Soleil, na região metropolitana de Porto Príncipe e uma das áreas mais pobres das Américas.
O local está em uma "Zona Vermelha", por ficar em um ponto de conflito entre grupos armados. Desde o dia 19 de junho, a maternidade está fechada e sem previsão de reabertura.
A enfermeira brasileira Joyce Demarchi, que é da equipe do hospital, está no país desde fevereiro e conversou com a BandNews FM. Ela relata que, quando existe um hospital, chegar nele pode ser quase impossível.
Os Médicos sem Fronteiras operam em parceria com o Ministério da Saúde do Haiti, então o atendimento é de graça. No entanto, em momentos de conflito, quando as facções trocam ataques, o transporte desaparece, sem opção de ônibus, táxi ou mototáxi.
Fora isso, cruzar o espaço por conta própria, de carro, bicicleta ou a pé, pode ser muito arriscado. Ou seja, nem os profissionais da saúde conseguem chegar para o atendimento.
A crise humanitária é reflexo da situação política do país: a última vez em que os haitianos foram às urnas foi em 2016. Em 2021, o então chefe de Estado, Jovenel Moïse, foi morto em um atentado e o país está sem presidente desde então.
O Haiti era comandado pelo Conselho Presidencial de Transição, que encerrou o mandato em fevereiro deste ano, depois que os Estados Unidos ameaçaram intervir.
Ou seja, o Haiti está completamente à deriva, sem um governo no comando e a população completamente abandonada em serviços básicos, como destaca a enfermeira Joyce Demarchi
A violência escalou na região desde o dia 13 de junho, com o fechamento do hospital no dia 19. Além disso, nas regiões onde há saneamento básico, as cidades estão sem abastecimento de água.
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