
Inflação do verão pressiona serviços e encarece lazer e transporte.
Marcello Casal JrAgência Brasil
A inflação de itens e serviços típicos do verão registra altas acima da média em 2025 e pressiona o orçamento do consumidor brasileiro. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que despesas comuns nesta época do ano, como transporte por aplicativo, alimentação fora de casa, lazer e turismo, ficaram mais caras ao longo dos últimos 12 meses.
O maior impacto no período vem do transporte por aplicativo, que acumula inflação de 56% em 12 meses, de acordo com o IPCA. O aumento supera com folga a média geral de bens e serviços pesquisados pelo índice oficial e reflete a combinação de maior demanda, custos operacionais mais elevados e reajustes praticados pelas plataformas ao longo do ano.
Além do transporte, outros gastos recorrentes no verão também registram altas expressivas. O lanche fora de casa sobe 11% no acumulado de 12 meses, enquanto o sorvete consumido fora do domicílio apresenta aumento de 10%. Os clubes de recreação, alternativa comum para lazer durante as férias escolares, têm variação positiva de 10,07% no mesmo período.
Transporte, lazer e turismo lideram altas
Na sequência dos aumentos aparecem itens diretamente ligados ao turismo e à mobilidade urbana. A hospedagem registra alta de 9,6%, o serviço de táxi sobe 9,4% e as passagens aéreas ficam 7,9% mais caras. Segundo o levantamento, todos esses preços aceleram em 2025, com variações superiores às observadas no ano anterior.
O comportamento reforça a pressão inflacionária sobre serviços, especialmente aqueles com maior consumo sazonal. Durante o verão, a demanda por deslocamentos, viagens e atividades de lazer aumenta, o que contribui para reajustes acima da média. Esse movimento é acompanhado de custos mais elevados para prestadores de serviço, como combustíveis, manutenção, energia e mão de obra.
O IPCA reúne, ao todo, 377 subitens entre bens e serviços pesquisados mensalmente. A análise dos itens mais consumidos no verão foi feita pelo jornal Folha de S.Paulo, que selecionou 40 subitens com maior demanda nesta época do ano, além de grupos como carnes, frutas e pescados, que englobam mais de um subitem.
Se esse conjunto típico do verão fosse considerado como um índice próprio, a inflação acumulada em 2025 chegaria a 4,51%. O resultado indica que, mesmo sem considerar todo o universo de produtos do IPCA, o custo de vida associado ao consumo sazonal permanece elevado.
Eletrodomésticos ajudam a aliviar o bolso
Na contramão dos serviços e do lazer fora de casa, alguns produtos usados no ambiente doméstico contribuem para aliviar o orçamento do consumidor. Itens ligados ao conforto térmico e à conservação de alimentos apresentam deflação ao longo de 2025.
O ar-condicionado registra queda de preços de 9,82% no ano. Já o ventilador fica 7,24% mais barato, enquanto o refrigerador apresenta deflação de 6,79%. A redução nesses preços está associada, entre outros fatores, à maior concorrência no setor, avanços tecnológicos e promoções sazonais.
Apesar do alívio proporcionado por esses produtos, o impacto no orçamento depende do perfil de consumo das famílias. Para quem precisa substituir ou adquirir eletrodomésticos, a queda ajuda a compensar parte dos aumentos observados nos serviços. No entanto, para consumidores que concentram gastos em transporte, alimentação fora de casa e lazer, a inflação do verão segue como um fator de pressão.
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