As projeções para a inflação no Brasil continuam a melhorar, conforme aponta a mais recente pesquisa do Banco Central realizada com economistas. As previsões anuais para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuaram para 4,8%, uma queda significativa em relação aos 5,5% projetados no início do ano.
Conforme Rosa, essa melhora abre espaço para que as expectativas para o próximo ano já se encaixem no limite da meta de inflação do governo, estipulada em 4,5%.
A colunista explica que o principal motor desse recuo inflacionário é a taxa de câmbio. O dólar, que iniciou o ano acima dos R$ 6,00, tem negociado na faixa dos R$ 5,30, e as projeções indicam que a moeda americana pode continuar em baixa devido ao enfraquecimento da economia dos Estados Unidos.
Esse cenário cambial favorável impacta positivamente uma série de preços internos, incluindo insumos industriais e produtos alimentícios cotados em dólar. Além disso, a safra agrícola também contribuiu, pois o bom clima e a ausência de grandes quebras de produção garantiram uma oferta robusta de alimentos.
No entanto, Rosa alerta que, apesar da queda da inflação geral, a categoria de serviços intensivos em mão de obra — como cabeleireiros, manicures e serviços médicos/odontológicos — ainda apresenta preços elevados. A taxa de inflação para essa área está em 6,4%, bem acima do índice geral de 5,3% nos últimos 12 meses.
De acordo com a colunista, a causa desse aquecimento está ligada diretamente à força do mercado de trabalho brasileiro, que está com recorde de baixas taxas de desemprego, mesmo com os juros no patamar de 15%, o maior em quase duas décadas.
A jornalista destaca um estudo do Banco Central que tenta explicar a resiliência do mercado de trabalho, apesar da alta taxa de juros. Uma das chaves, conforme Rosa, é o fenômeno da “uberização” e o impacto das novas tecnologias.
Muitas pessoas que estariam desempregadas encontraram, em aplicativos de transporte e entrega, uma fonte de renda e uma alternativa flexível ao emprego formal. A colunista cita a discussão sobre trabalhadores que preferem a autonomia de horários, mesmo com menos segurança, em detrimento de uma jornada fixa.
O resultado desse aquecimento é que, com mais pessoas gerando renda, a inflação demora a ceder, especialmente no setor de serviços. Por isso, de acordo com a colunista, embora as projeções de preços estejam melhorando, a inflação cai lentamente. Desse modo, o Banco Central não demonstrou sinais de que cortará a taxa básica de juros (Selic) ainda neste ano, indicando que a política monetária de aperto deve ser mantida.
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