Investimento federal em crianças quase triplica em sete anos
Estudo da Fundação Abrinq mostra que gasto federal com infância equivale a cerca de R$ 12 por criança e adolescente ao dia

O investimento do governo federal em políticas voltadas a crianças e adolescentes alcançou R$ 247,5 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 2019. O montante representa cerca de 5% das despesas liquidadas da União e equivale a R$ 4.321 por criança e adolescente no ano, ou aproximadamente R$ 12 por dia.
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Os dados são da nova edição do estudo “Um Retrato da Infância e Adolescência no Brasil”, da Fundação Abrinq. Em valores reais, descontada a inflação, o chamado Orçamento Criança e Adolescente (OCA) cresceu 181% desde 2019, quando somava R$ 88,1 bilhões. No mesmo período, as despesas liquidadas do Orçamento Geral da União (OGU) avançaram 86,3%.
A participação dos gastos com infância no orçamento federal também aumentou. Em 2019, o OCA correspondia a 3,3% das despesas liquidadas da União. Em 2025, chegou a aproximadamente 5%.
A evolução, porém, foi marcada por um forte salto durante a pandemia de covid-19. O OCA passou de R$ 88,1 bilhões em 2019 para R$ 187,1 bilhões em 2020, recuou para R$ 120 bilhões em 2021 e ficou em R$ 130,2 bilhões em 2022.
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A partir de 2023, os gastos voltaram a crescer de forma consecutiva. O orçamento destinado à infância chegou a R$ 187,9 bilhões naquele ano, avançou para R$ 224,7 bilhões em 2024 e atingiu R$ 247,5 bilhões em 2025.
O aumento recente se diferencia do observado em 2020, quando a expansão esteve associada às medidas emergenciais adotadas durante a crise sanitária. Nos três últimos anos da série, o crescimento ocorreu de forma contínua, levando os gastos a um patamar quase três vezes superior ao registrado no início do período.
Assistência social concentra maior parcela
A assistência social foi a área que concentrou a maior parcela dos recursos destinados à infância entre 2019 e 2025, com participação média de 32,6%. Na sequência aparecem educação básica, com 24%; saúde, com 21,6%; e administração das unidades orçamentárias, com 20,6%. Juntas, as quatro áreas responderam por 98,8% do OCA no período.
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A composição variou ao longo dos anos. Em 2020, por exemplo, as despesas de proteção representaram 56,2% do orçamento destinado a crianças e adolescentes, em razão principalmente das medidas emergenciais de proteção social adotadas durante a pandemia.
Em 2025, o valor destinado a cada criança e adolescente chegou ao maior nível da série. Na média dos sete anos analisados, foram R$ 2.795 anuais por pessoa de até 19 anos, em valores reais, ou R$ 7,66 por dia.
O cálculo não representa uma transferência direta às crianças e adolescentes. O OCA reúne despesas federais destinadas exclusivamente a esse público e parcelas de políticas públicas mais amplas que também o beneficiam, segundo critérios de ponderação definidos pela metodologia do estudo.
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Para Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq, o aumento dos recursos é positivo, mas ainda é necessário transformar o investimento em uma prioridade permanente. “Mais do que ampliar os recursos destinados à infância e à adolescência, é fundamental assegurar uma gestão eficiente desses investimentos, para que produzam resultados concretos na vida de crianças e adolescentes”, afirma.
