
Narges Mohammadi
Reprodução/Instagram
Resumo
Condenação de Narges Mohammadi, ativista iraniana premiada com o Nobel da Paz em 2023, resulta em sete anos de prisão e proibição de viajar por dois anos, após julgamento em Mashhad que a considerou culpada por "conspiração, conluio e propaganda" contra o governo.
Histórico de atuação da ativista inclui prisões anteriores, liderança em protestos contra o regime e defesa dos direitos das mulheres, tornando-se símbolo da "revolução feminina" e sendo reconhecida internacionalmente por sua luta contra a opressão feminina no Irã.
Contexto político no Irã é marcado por repressão a dissidentes, ausência de confirmação oficial da sentença pelo governo e protestos desde dezembro de 2025 motivados por questões econômicas e políticas, com repressão violenta, centenas de mortes e milhares de prisões relatadas por organizações de direitos humanos.
A ativista iraniana Narges Mohammadi, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023 pelo trabalho contra a opressão feminina, foi condenada a sete anos de prisão pelo regime de Teerã. A sentença, proferida por um Tribunal Revolucionário na cidade de Mashhad, afirma que a ativista é culpada por "conspiração, conluio e propaganda" contra o governo, segundo informações divulgadas pelo advogado da ganhadora do Nobel.
Mohammadi, que já estava detida desde dezembro de 2025, tem sido uma voz proeminente nas manifestações contra o regime e, recentemente, iniciou uma greve de fome em protesto contra suas condições carcerárias.
A condenação e o histórico de luta
A nova condenação de Narges Mohammadi impõe seis anos de prisão por "conspiração e conluio" e mais um ano e meio por "propaganda contra o governo iraniano", além de uma proibição de viajar por dois anos. A ativista, de 54 anos, foi presa em dezembro de 2025, durante uma cerimônia em homenagem a um advogado defensor dos direitos humanos. Sua trajetória é marcada por diversas prisões e libertação temporária em dezembro de 2024 por motivos de saúde.
Mohammadi é uma figura central na luta pelos direitos das mulheres no Irã, tendo se tornado um símbolo da "revolução feminina" após a morte de uma jovem detida por supostamente usar o véu islâmico de forma incorreta. A premiação do Nobel da Paz em 2023 reconheceu seus incansáveis esforços "contra a opressão das mulheres no Irã e sua luta para promover os direitos humanos e a liberdade para todos".
A resposta do governo e os protestos no Irã
Até o momento, o governo iraniano não confirmou oficialmente a nova sentença de Narges Mohammadi. No entanto, a condenação ocorre em um contexto de crescente repressão a dissidentes e manifestantes no país. A Fundação Narges Mohammadi, sediada em Paris, havia informado na quarta-feira (4) que a ativista iniciou uma greve de fome no dia 2 de fevereiro, em protesto contra sua detenção e as "condições graves" enfrentadas por presos políticos no Irã.
O país persa tem enfrentado uma intensa onda de protestos desde o final de dezembro de 2025, motivados inicialmente por insatisfações econômicas e que rapidamente evoluíram para exigências pela queda do aiatolá Ali Khamenei. As manifestações foram duramente reprimidas pelas forças de segurança, resultando em centenas de mortes e milhares de prisões, conforme balanços divulgados por ativistas internacionais.
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