Por 493 votos a zero, as ruas e as redes derrotaram os reacionários da Câmara dos Deputados e conseguiram aprovar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ mil, analisou o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da BandNews FM.
Segundo o jornalista, essa ampla adesão é um reflexo direto da pressão exercida pelas ruas e pelas redes sociais, que se mobilizaram em favor da medida. A compensação financeira para o tesouro virá, de acordo com o comentarista, do aumento da tributação sobre os indivíduos mais abastados, com um acréscimo de 10% na tarifa para quem aufere mensalmente entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.
Apesar da celebração, o colunista pondera que a aprovação representa apenas um "primeiríssimo passo" e que o Brasil ainda está muito distante de alcançar uma justiça tributária plena. Ele reconhece e compreende as saudações do presidente da Câmara e do ministro Fernando Haddad, que classificaram o momento como um marco de união e justiça fiscal, mas afirma que a realidade política, infelizmente, não condiz com essa imagem de consenso.
Conforme Azevedo, é crucial notar que os "gastos tributários" — benefícios fiscais que, na prática, favorecem milionários e bilionários — permanecem intocados e são extremamente difíceis de serem alterados.
O comentarista da BandNews FM destaca que a elevação da tributação dos chamados "super-ricos" só avançou porque os reacionários recuaram. Eles o fizeram, segundo ele, devido à mobilização popular nas ruas e à pressão nas redes, além da decisão do governo de encampar a disputa.
Azevedo remonta a um episódio anterior para sublinhar o oportunismo: ele lembra que, em novembro do ano passado, o governo havia anunciado um robusto pacote de corte de despesas de R$ 70 bilhões, que incluía mudanças no reajuste do salário mínimo. Naquela ocasião, a mera menção à futura intenção de votar essa isenção causou uma "especulação enlouquecida", elevando o dólar e prognosticando o "fim do mundo" no mercado.
Conforme o jornalista, essa reação histérica da especulação financeira se provou infundada, dado que a medida foi aprovada por unanimidade dos presentes, sem nenhum voto contrário, num momento em que o dólar se estabilizava. Esse fato expõe a hipocrisia de muitos parlamentares, que agora "saudaram" o projeto de justiça tributária, mas que só o fizeram após serem confrontados pela opinião pública.
O colunista conclui sua análise com uma ressalva vital: é um equívoco pensar que o Congresso se tornou progressista de uma hora para outra. Conforme Azevedo, sem a mobilização contínua e vigilante da sociedade nas ruas e nas plataformas digitais, a tendência natural da Casa Legislativa é voltar a praticar o reacionarismo. A vitória, portanto, pertence à mobilização popular, e não a uma mudança intrínseca da consciência parlamentar.
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