
Petróleo
REUTERS/Kim Hong-Ji
Resumo
O anúncio de uma pausa de cinco dias nos ataques ao Irã pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou queda imediata no preço internacional do petróleo, reduzindo o valor do barril de US$ 114 para US$ 104, segundo a colunista Juliana Rosa, mas reflexos das últimas semanas de conflito já são sentidos no Brasil, com aumento dos preços dos combustíveis e risco de falta de diesel.
O impacto mais severo atinge o óleo diesel, que acumula alta de aproximadamente 20% e chega a R$ 7,26 por litro, enquanto a gasolina subiu 6% e atinge R$ 6,65, devido à maior dependência externa do diesel; esse cenário pressiona as projeções econômicas brasileiras, elevando as expectativas de inflação para 4,17% e de juros para 12,5%.
O risco de desabastecimento de diesel cresce devido à política da Petrobras de segurar reajustes, afastando importadores privados e agravando a falta do produto em regiões do Sul, com ameaça de paralisação de setores como agronegócio e transporte, enquanto a recuperação internacional da oferta de petróleo deve levar pelo menos três meses, mantendo a volatilidade no mercado de energia.
O anúncio de uma pausa de cinco dias nos ataques ao Irã, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe um alívio imediato ao mercado internacional de petróleo nesta segunda-feira (23). Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, o preço do barril, que chegou a ser cotado a US$ 114, recuou para US$ 104 após a declaração.
Trump afirmou em sua rede social que as conversas para uma resolução das hostilidades na região foram "muito boas e produtivas". Apesar da queda, o valor do petróleo continua elevado e os reflexos das últimas três semanas de conflito já são sentidos no Brasil, com destaque para o aumento expressivo no preço do diesel e o crescente risco de falta do produto.
Preços dos combustíveis e inflação no Brasil
Juliana Rosa destaca que o impacto mais severo no mercado brasileiro se concentra no óleo diesel. De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço do combustível já acumula uma alta de aproximadamente 20%, com o valor médio chegando a R$ 7,26 por litro.
A gasolina, por sua vez, subiu 6%, atingindo a média de R$ 6,65. A diferença se deve à maior dependência externa do Brasil pelo diesel, que pode chegar a 30% do consumo nacional, enquanto a importação de gasolina representa apenas 10%. Esse cenário de pressão nos combustíveis já afeta as projeções econômicas, com a previsão média para a inflação subindo para 4,17% e a de juros para 12,5%, segundo o Banco Central.
Risco de desabastecimento de diesel
A colunista diz que pior do que o aumento dos preços, é o risco de desabastecimento de diesel. A Petrobras tem segurado os reajustes, vendendo o combustível a um preço inferior ao do mercado internacional. Como consequência, os importadores privados deixaram de trazer o produto de fora, já que não conseguem competir com o valor praticado pela estatal.
A situação se agravou na última semana, quando a Petrobras cancelou leilões de diesel, gerando um alerta da ANP sobre a necessidade de a empresa garantir a oferta. Relatos de falta do produto já surgem em algumas regiões, principalmente no Sul do país, ameaçando paralisar setores cruciais da economia, como o agronegócio e o transporte de cargas.
Cenário internacional e impactos futuros
A trégua anunciada por Trump ocorre em um momento de forte pressão política interna sobre ele, devido à alta da inflação nos Estados Unidos. No entanto, os estragos causados pelo conflito no Oriente Médio são profundos.
Juliana Rosa explica que, mesmo com o fim imediato da guerra, a recuperação da oferta de petróleo levaria pelo menos três meses. O conflito escalou do bloqueio à circulação de navios no Estreito de Ormuz para ataques diretos a refinarias e campos de petróleo, o que exige um longo tempo para a reconstrução da infraestrutura produtiva.
Portanto, a volatilidade no mercado de energia deve continuar sendo um ponto de atenção para a economia global e, principalmente, para o Brasil.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


