Brasil

Juliana Rosa: EUA anunciam pausa de 5 dias nos ataques ao Irã; petróleo cai

Colunista aponta que trégua no Oriente Médio traz alívio ao preço do barril, mas problemas internos na política de preços da Petrobras geram preocupação com a oferta de diesel no Brasil

3 min

23/03/2026 10:19 • Atualizado há 216 dias

Juliana Rosa: EUA anunciam pausa de 5 dias nos ataques ao Irã; petróleo cai

O anúncio de uma pausa de cinco dias nos ataques ao Irã, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe um alívio imediato ao mercado internacional de petróleo nesta segunda-feira (23). Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, o preço do barril, que chegou a ser cotado a US$ 114, recuou para US$ 104 após a declaração.

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Trump afirmou em sua rede social que as conversas para uma resolução das hostilidades na região foram "muito boas e produtivas". Apesar da queda, o valor do petróleo continua elevado e os reflexos das últimas três semanas de conflito já são sentidos no Brasil, com destaque para o aumento expressivo no preço do diesel e o crescente risco de falta do produto.

Preços dos combustíveis e inflação no Brasil

Juliana Rosa destaca que o impacto mais severo no mercado brasileiro se concentra no óleo diesel. De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço do combustível já acumula uma alta de aproximadamente 20%, com o valor médio chegando a R$ 7,26 por litro.

A gasolina, por sua vez, subiu 6%, atingindo a média de R$ 6,65. A diferença se deve à maior dependência externa do Brasil pelo diesel, que pode chegar a 30% do consumo nacional, enquanto a importação de gasolina representa apenas 10%. Esse cenário de pressão nos combustíveis já afeta as projeções econômicas, com a previsão média para a inflação subindo para 4,17% e a de juros para 12,5%, segundo o Banco Central.

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Risco de desabastecimento de diesel

A colunista diz que pior do que o aumento dos preços, é o risco de desabastecimento de diesel. A Petrobras tem segurado os reajustes, vendendo o combustível a um preço inferior ao do mercado internacional. Como consequência, os importadores privados deixaram de trazer o produto de fora, já que não conseguem competir com o valor praticado pela estatal.

A situação se agravou na última semana, quando a Petrobras cancelou leilões de diesel, gerando um alerta da ANP sobre a necessidade de a empresa garantir a oferta. Relatos de falta do produto já surgem em algumas regiões, principalmente no Sul do país, ameaçando paralisar setores cruciais da economia, como o agronegócio e o transporte de cargas.

Cenário internacional e impactos futuros

A trégua anunciada por Trump ocorre em um momento de forte pressão política interna sobre ele, devido à alta da inflação nos Estados Unidos. No entanto, os estragos causados pelo conflito no Oriente Médio são profundos.

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Juliana Rosa explica que, mesmo com o fim imediato da guerra, a recuperação da oferta de petróleo levaria pelo menos três meses. O conflito escalou do bloqueio à circulação de navios no Estreito de Ormuz para ataques diretos a refinarias e campos de petróleo, o que exige um longo tempo para a reconstrução da infraestrutura produtiva.

Portanto, a volatilidade no mercado de energia deve continuar sendo um ponto de atenção para a economia global e, principalmente, para o Brasil.

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