
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
Washington Costa/MF
Nesta “Super Quarta” (17/09), dia de decisões cruciais sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, a expectativa unânime do mercado é de que o Banco Central brasileiro manterá a Selic no patamar de 15% ao ano.
Segundo a colunista de economia Juliana Rosa, da BandNews FM, apesar da pressão causada pela maior taxa em 20 anos, que eleva o endividamento de famílias e empresas a níveis recordes, a autoridade monetária deve optar pela cautela e não promover um corte neste momento.
A principal justificativa para essa provável manutenção, de acordo com a jornalista, reside em fatores internos da economia brasileira. Conforme Juliana, embora o juro alto já mostre efeitos em setores dependentes de crédito, como a indústria e a construção civil, o mercado de trabalho continua bastante aquecido. Esse cenário, para a especialista, mantém a inflação de serviços — aquela ligada ao consumo do dia a dia e à renda — ainda pressionada, o que exige prudência do Banco Central, antes de iniciar um ciclo de cortes.
Em contrapartida, a situação nos Estados Unidos é distinta e acaba por beneficiar o Brasil. A colunista aponta que o Federal Reserve (FED), o banco central americano, deve anunciar um corte nos juros.
Essa redução na taxa de juros, porém, é consequência de uma piora mais rápida da economia americana, impactada pela imprevisibilidade política, que supera a preocupação com a inflação. De acordo com Rosa, a decisão enfraquece o dólar globalmente, o que já é perceptível no Brasil, com a moeda caindo e chegando à casa dos R$ 5,30, aliviando a pressão sobre os preços internos.
A queda do dólar, somada aos sinais de que a atividade econômica brasileira começa a desacelerar de forma suave, abre espaço para que o Banco Central possa, em breve, reavaliar sua política. A expectativa, conforme a jornalista, é que o comunicado desta quarta-feira (17) possa trazer alguma sinalização ou uma "pista" sobre a possibilidade de um futuro corte da Selic ainda neste ano.
No entanto, a colunista alerta para riscos no horizonte que justificam a postura conservadora do BC. Para Juliana, o fato de o próximo ano ser eleitoral, a provável aprovação da reforma do Imposto de Renda e a ampliação de programas sociais, como o “Gás do Povo”, são fatores que tendem a estimular o consumo e a injetar mais dinheiro na economia.
Diante dessa perspectiva eleitoral, econômica e fiscal, o Banco Central prefere aguardar um cenário mais claro de desaquecimento da demanda e dos serviços, antes de dar o primeiro passo para reduzir o custo do dinheiro no Brasil.
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