Band News FM
BandNews FM

Banco Pleno: Juliana Rosa detalha falhas e riscos para consumidor

Quebra pressiona ainda mais o FGC, fundo que garante depósitos e que terá de arcar com quase R$ 5 bilhões para cobrir o rombo

Da redação
DA REDAÇÃO

18/02/2026 • 11:05 • Atualizado em 18/02/2026 • 11:05

Banco Central deve reduzir taxa Selic para 10,75% ao ano

Banco Central deve reduzir taxa Selic para 10,75% ao ano

Marcello Casal/Agência Brasil

Resumo

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da DTVM, pertencentes a Augusto Ferreira Lima, devido ao comprometimento econômico-financeiro e descumprimento de normas, ampliando a crise de confiança após a quebra do Banco Master em 2025 e tornando indisponíveis os bens dos controladores.

A operação de venda do Pleno, antes parte do grupo Master, foi criticada por analistas após a prisão de Lima e Vorcaro na Operação Compliance Zero, levantando questionamentos sobre falhas na fiscalização, com o FGC tendo enviado 30 alertas ao BC e investigações internas apurando erros de supervisão e transparência.

A quebra do Pleno exige que o FGC desembolse R$ 4,9 bilhões para ressarcir 160 mil clientes, valor que se soma aos mais de R$ 50 bilhões já gastos com outras liquidações, forçando bancos a antecipar contribuições e resultando em crédito mais restrito e juros mais altos para consumidores.

O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira de cinzas (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).

Compartilhar

A instituição pertencia a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Segundo o BC, a medida foi tomada devido ao "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez", além do descumprimento de normas do setor.

Apesar de ser considerado de pequeno porte, representando apenas 0,04% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional, a quebra do Pleno adiciona mais um capítulo à crise de confiança deflagrada pela liquidação do próprio Banco Master em novembro de 2025.

A autoridade monetária afirmou que, por lei, os bens dos controladores e administradores do banco ficarão indisponíveis.

A teia do Master e a falha na fiscalização

O Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, fazia parte do conglomerado do Banco Master até meados de 2025, quando sua venda para Augusto Lima foi autorizada pelo próprio Banco Central.

Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, a operação foi criticada por analistas, já que Lima e Vorcaro foram presos meses depois na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias.

A jornalista destaca que a liquidação do Pleno e de outros braços do antigo grupo Master levanta questionamentos sobre a fiscalização e a regulação do sistema financeiro.

Segundo apuração da Juliana, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), por exemplo, informou ter enviado 30 alertas ao Banco Central sobre as preocupações com o modelo de negócios do Master, considerado "temerário" há anos.

A falta de transparência e a aparente falha na supervisão estão no centro do debate, com investigações internas em andamento no BC para apurar onde ocorreram os erros.

Impacto no crédito e o custo para os bancos

A quebra do Pleno agrava a situação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que terá de arcar com mais R$ 4,9 bilhões para ressarcir cerca de 160 mil clientes com depósitos elegíveis.

Esse valor se soma aos mais de R$ 50 bilhões já gastos pelo fundo para cobrir os rombos do Banco Master e do Will Bank, também ligado ao conglomerado.

A colunista afirma que o impacto financeiro no FGC, que é uma entidade privada mantida pelos próprios bancos, deve ser repassado a todos os consumidores. Para recompor seu caixa, o fundo está exigindo que os bancos antecipem o equivalente a cinco anos de contribuições em 2026.

Na prática, isso significa que os bancos terão menos dinheiro disponível, o que deve resultar em uma oferta de crédito mais restrita e juros mais caros para todos os clientes do sistema financeiro.