O período entre o Natal e o Ano Novo de 2025/2026 trouxe desafios significativos para o abastecimento de água no litoral paulista. Em entrevista à Rádio BandNews FM, João Paulo Tavares Papa, diretor de relações governamentais da Sabesp, detalhou os fatores que levaram a relatos de falta d'água em diversas cidades da Baixada Santista e as medidas adotadas para estabilizar o sistema.
Segundo o executivo, o litoral não conta com grandes represas para reservação de água, dependendo diretamente do regime de chuvas nos mananciais de serra.
O sistema é operado de forma integrada entre oito dos nove municípios da Baixada (exceto Bertioga), o que permite transferências de água conforme a demanda e a disponibilidade local. No entanto, a combinação de calor extremo, superpopulação por turistas e incidentes operacionais colocou o sistema sob pressão máxima.
Problemas operacionais e recuperação no Litoral Sul
Um dos principais incidentes ocorreu na madrugada de 31 de dezembro no Sistema Mambu-Branco, o segundo mais importante da região. Uma chuva forte na cabeceira do Rio Branco aumentou a turbidez da água (presença de sedimentos), forçando a estação de tratamento a reduzir drasticamente sua produção de 3.000 para apenas 800 litros por segundo por questões de segurança técnica.
A recuperação desse sistema é gradual, mas a Sabesp informou que, na manhã de 2 de janeiro, a produção já havia sido retomada para 2.500 litros por segundo, com expectativa de normalização total ao longo do dia. Os municípios mais afetados por essa queda técnica foram Itanhaém, Peruíbe e Mongaguá.
Bertioga e questões de pressão em condomínios
Em Bertioga, o sistema enfrentou problemas específicos, como quedas de energia e a quebra de um equipamento no módulo de produção por ultrafiltração na região do Tapanhaú. Bairros como Vista Linda, Jardim Ana Paula e Jardim Rafael foram impactados, mas o conserto já foi realizado e o abastecimento entrou em fase de normalização.
João Paulo também destacou que muitos casos de falta d'água em prédios, como os relatados no Guarujá, ocorrem devido à superlotação dos imóveis.
Em áreas de topografia elevada ou prédios com alta ocupação, a pressão da rede pode não ser suficiente para recuperar reservatórios internos que se esvaziam rapidamente devido ao consumo excessivo, exigindo análises individuais e, em casos emergenciais, o uso de caminhões-tanque.
Investimentos recordes e futuro do abastecimento
Para mitigar esses problemas crônicos, a Sabesp quadruplicou seus investimentos na Baixada Santista nos últimos 12 meses, atingindo a marca recorde de R$ 2 bilhões. Entre as melhorias entregues em 2025 e previstas para 2026 estão:
- Seis novos reservatórios: Instalados em Santos, São Vicente, Guarujá, Itanhaém, Peruíbe e Bertioga, ampliando a capacidade em 45 milhões de litros.
- Nova adutora no Guarujá: Construção de uma tubulação para interligar o sistema central (Cubatão/Santos) ao Guarujá, reduzindo a dependência histórica do Rio Jurubatuba, com entrega prevista para meados de 2026.
A companhia reforçou sua "Operação Verão" com mais de 40 caminhões-pipa, geradores de emergência e bombas reserva em todos os municípios. A orientação aos consumidores é que utilizem os canais oficiais para registrar ocorrências pontuais e garantir o atendimento prioritário das equipes técnicas.
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