
Em discurso na Colômbia, Lula critica conflitos
REUTERS/Luisa Gonzalez
Resumo
Crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Conselho de Segurança da ONU destacou preocupação com o aumento de conflitos globais, durante o Fórum da Celac com a África na Colômbia.
Defesa do Atlântico Sul como zona livre de disputas geopolíticas incluiu questionamento sobre intervenções internacionais, com referência indireta ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, no caso da Venezuela.
Cobrança de reforma no Conselho de Segurança da ONU enfatizou falta de representatividade da América Latina e da África, atribuindo a atual composição a heranças do colonialismo e apartheid e criticando a legitimidade de membros permanentes envolvidos em conflitos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), neste sábado (21), durante sua participação no Fórum de Alto Nível da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a África, em Bogotá, na Colômbia. Em seu discurso, Lula afirmou que o órgão deveria zelar pela paz e demonstrou preocupação com o que chamou de "maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial".
Ao defender que o Atlântico Sul seja uma zona livre de disputas geopolíticas, o presidente brasileiro questionou a lógica de poder nas relações internacionais. Indiretamente, Lula também criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, ao citar o caso da Venezuela. "O que fizeram com a Venezuela, o que tentaram... isso é democrático? Em que parágrafo, em que artigo da carta da ONU tá dito que um presidente de um país pode invadir o outro?", questionou.
Presidente defendeu aproximação com a África
O presidente voltou a cobrar uma reforma no Conselho de Segurança da ONU que, segundo ele, sofre com "paralisia" e não reflete a realidade geopolítica. Para Lula, a ausência de representação adequada da América Latina e da África no grupo de membros permanentes é um resquício de uma "ordem desigual, estabelecida enquanto o colonialismo e o apartheid prevaleciam".
"Não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU", afirmou o presidente. Ele questionou a legitimidade de um conselho no qual os próprios responsáveis por manter a paz são os que promovem guerras, referindo-se indiretamente a membros permanentes, como EUA e Rússia, responsáveis por iniciar invasões e bombardeios a outros países.
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