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Lula fala em ‘reciprocidade’ após EUA expulsarem delegado da PF

Presidente afirmou que, se confirmado abuso por parte das autoridades americanas na expulsão de Marcelo Ivo de Carvalho, que participou da prisão de Ramagem, o Brasil poderá responder na mesma medida

Por Redação
REDAÇÃO

21/04/2026 • 10:08 • Atualizado em 21/04/2026 • 10:08

Lula na Alemanhã

Lula na Alemanhã

Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil pode adotar o princípio da reciprocidade após o governo dos Estados Unidos solicitar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do país. A medida foi uma resposta direta à participação do delegado na recente prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que era considerado foragido pela Justiça brasileira.Durante uma conversa com jornalistas na Alemanha, Lula foi enfático ao afirmar que aguarda mais detalhes sobre o ocorrido. "Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", declarou o presidente, sublinhando que não aceitará "ingerência e abuso de autoridade" por parte de autoridades americanas em relação ao Brasil.O estopim com a prisão de Ramagem

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A tensão diplomática teve início após o Departamento de Estado norte-americano anunciar a expulsão de Marcelo Carvalho do país. Ele atuava como oficial de ligação da PF junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA em Miami.Segundo o Departamento de Estado americano, o servidor teria tentado "manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos".

A ação está diretamente ligada à prisão, na semana anterior, do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, em Orlando. Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por participação em uma trama golpista, era considerado foragido e teve sua detenção realizada por agentes do ICE, em uma ação de cooperação com a polícia brasileira.Reação e próximos passos do governo brasileiro O Palácio do Planalto e o Itamaraty consideram a justificativa americana "sem fundamento", uma vez que o delegado atuava em uma missão de cooperação oficial e conhecida pelas autoridades locais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que o governo brasileiro aguarda esclarecimentos formais por parte de Washington sobre a decisão.Para a função de oficial de ligação nos Estados Unidos, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já designou um nome substituto. A delegada Tatiana Alves Torres foi nomeada para assumir o posto e dar continuidade ao trabalho de cooperação policial entre os dois países, enquanto o governo brasileiro avalia os desdobramentos e a resposta à expulsão de Carvalho.

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