
Aloizio Mercadante
Reprodução/Band
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, minimizou a atual crise de popularidade pela qual passa o governo Lula. Em entrevista ao O É da Coisa, o economista relembrou sua passagem por outras administrações petistas e frisou que outros problemas foram superados.
“Participei de 9 campanhas presidenciais. Em 2002, nós estávamos perdidos. Em 2006, com o Mensalão, falaram: ‘o Lula tem que renunciar, não tem chance de se reeleger’. Ele perdia em todas as pesquisas. Ganhou a eleição. Mesmo com Lula preso e o Haddad que não era um nome nacional, nós quase ganhamos [em 2018] e o Lula voltou [em 2022]. Estamos batendo recordes de emprego, maior valor do salário mínimo", relatou.
Mercadante citou a inflação de alimentos como um desafio para a atual gestão: "O preço dos alimentos pesa no bolso da população, tem uma crise climática que está atingindo a agricultura no mundo inteiro”.
Entretanto, ele foi categórico ao ressaltar que acredita que Lula superará esse momento.
"Qualquer indicador que você olhar, o Lula vai entregar muito mais do que o governo anterior. Eu tenho muita segurança que voltaremos. Vai dar Lula de novo”, ressaltou.
BNDES e crescimento
Aloizio Mercadante ainda defendeu a atuação do BNDES e disse que o órgão é crucial para o crescimento do país. Em 2024, o banco teve um lucro de 26,4 bilhões, o que representa um aumento de 20,5%.
“Eu acho que gosta do BNDES quem gosta do Brasil e do povo brasileiro. A indústria, por exemplo, recebeu nesses dois anos R$ 191 bilhões de crédito que nós assumimos que foi lançada a Nova Indústria Brasil. A agricultura aumentamos 91% o crédito em relação ao governo anterior. Foi o BNDES que financiou 85% das estradas. Esses setores gostam do BNDES, sabem a importância”, ressaltou.
Ao mesmo tempo, ele rechaçou a ideia de que o banco contribuiu para o aumento da inflação, uma vez que injeta crédito na economia brasileira.
“Do ponto de vista do esforço fiscal, o BNDES foi fundamental nesse ano de 2024. Nós pagamos de dividendos para o Tesouro R$ 29,5 bilhões. Se considerarmos os impostos que foram recolhidos e que outros bancos de desenvolvimento não pagam, vamos para R$ 36 bilhões. Com a antecipação que estamos fazendo dos subsídios que foram dados, estamos falando de quase R$ 40 bilhões e disso R$ 36 bilhões foram direto para fechar o arcabouço fiscal”, destacou.
Não se combate a inflação só com juros nas nuvens, se combate ela produzindo mais, com mais inovação, competitividade, alimentos. É isso que vai fazer o Brasil grande e contribuir com a estabilização. O BNDES é essencial nas duas pontas para combater a inflação.
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