Mercosul e UE assinam acordo histórico após 25 anos de negociação
Texto agora segue para a fase decisiva de ratificação nos congressos dos países-membros

Após mais de duas décadas de intensas negociações, o Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado (17) o histórico acordo de livre-comércio entre os dois blocos. A cerimônia, realizada em Assunção, no Paraguai, formaliza a criação de uma das maiores áreas de comércio do planeta, abrangendo um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas.
Continua depois da publicidade
Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assinou o documento ao lado de outras autoridades, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente da Argentina, Javier Milei.
O que dizem os líderes
Em seu discurso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o tratado envia uma mensagem contra o protecionismo e inaugura um novo capítulo na relação entre os continentes.
"Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento", disse Ursula.
Representando o governo brasileiro, o ministro de relações exteriores Mauro Vieira afirmou que o acordo é uma vitória do multilateralismo e trará benefícios concretos para a população.
Continua depois da publicidade
"O acordo estabelece, de fato, uma parceria entre nossas regiões, com enorme potencial econômico para nossas sociedades e profundo sentido geopolítico para nossos países. Teremos mais empregos, mais investimentos, maior integração produtiva e crescimento econômico com inclusão social", declarou o chanceler.
Uma longa jornada de negociações
O caminho até a assinatura foi longo e complexo. As negociações começaram oficialmente em 1999 e, desde então, passaram por diversas pausas e retomadas.
Os principais entraves sempre envolveram a resistência de países europeus, como a França, em abrir seu mercado agrícola a produtos sul-americanos, enquanto o Mercosul buscava proteger setores industriais.
Nos últimos anos, exigências ambientais adicionais por parte da UE se tornaram um novo obstáculo, superado na reta final das tratativas.
Continua depois da publicidade
Próximos Passos
A assinatura deste sábado é um passo fundamental, mas o acordo ainda não está em vigor. O texto precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, em seguida, pelos Congressos de cada um dos quatro países fundadores do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O processo pode levar anos e ainda enfrenta resistência de setores específicos em ambos os blocos.
