O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que não pretende pedir desculpas ao Brasil após declarar que sua delegação estava “feliz por deixar Belém”, frase que gerou forte repercussão durante a COP30. A informação foi publicada pela emissora pública alemã Deutsche Welle. Segundo o governo alemão, as palavras do premiê estariam sendo “distorcidas” e se referiam ao cansaço da comitiva após um longo dia de atividades na conferência.
A posição contraria cobranças feitas por autoridades brasileiras e por parlamentares da própria Alemanha. A colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM, destaca que Merz insiste na justificativa de que o comentário foi tirado de contexto, embora tenha citado diretamente “aquele lugar”, numa referência interpretada como crítica à capital paraense. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu ao episódio e afirmou que o premiê deveria ter conhecido a cultura local antes de emitir qualquer juízo.
A repercussão negativa também mobilizou o Parlamento alemão. A deputada Lisa Badum, porta-voz de políticas climáticas do Partido Verde, enviou uma carta formal ao chanceler exigindo uma retratação dirigida ao presidente Lula e à população de Belém. No documento, a parlamentar afirma que Merz “desvalorizou publicamente o parceiro mais importante da Alemanha na América do Sul” e relata que precisou pedir desculpas a paraenses durante a conferência.
Polêmica gera pressão interna na Alemanha
Lisa Badum classificou a fala do premiê como “indelicada” e afirmou que o comentário provocou “indignação justificada” no Brasil. Ela ressaltou que o país é uma das maiores democracias do mundo e aliado estratégico de Berlim na agenda climática. A deputada ainda criticou a participação do chanceler na COP30 “sem compromissos financeiros concretos”.
A cobrança ocorre dias após a Alemanha anunciar a destinação de 1 bilhão de euros para o Fundo de Florestas Tropicais, valor distribuído ao longo de dez anos. O aporte é considerado um gesto importante de cooperação, embora tenha sido divulgado após a polêmica envolvendo Merz. O fundo busca incentivar a preservação de florestas tropicais, como a Amazônia, mediante remuneração a países e investidores.
A declaração do chanceler ocorreu após reunião bilateral com Lula, realizada em Belém no dia 7. Apesar do desgaste diplomático, negociadores avaliam que o episódio não deve comprometer a cooperação entre os dois países, mas evidencia um ruído num momento sensível das discussões sobre financiamento climático e transição energética.
Lula, por sua vez, reforçou a defesa da cultura paraense, afirmando que Merz deveria ter visitado um “boteco”, dançado e provado a culinária local — citando pratos tradicionais como a maniçoba — para compreender a riqueza da região. Para o presidente, Belém oferece experiências que “Berlim não entrega”.
O governo brasileiro e autoridades alemãs continuam acompanhando os desdobramentos, enquanto a COP30 entra na reta final. A expectativa é que a cooperação bilateral siga preservada apesar do episódio, mas a pressão política sobre Merz deve continuar.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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