O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assumir uma posição mais ativa diante da repercussão da operação policial no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do país, com mais de 120 mortos. Segundo apuração da colunista Mônica Bergamo, no Jornal BandNews FM, o governo federal avalia que a direita se apropriou politicamente do episódio e planeja reagir nos próximos dias com propostas concretas de segurança pública.
Bergamo revelou que o Palácio do Planalto deve enviar ao Congresso um projeto antifacção, que prevê pena de até 30 anos de prisão para integrantes de organizações criminosas. A medida é vista como uma tentativa de reconstruir a narrativa do governo em meio à ofensiva política de governadores alinhados à direita, que realizaram um ato público em apoio ao governador do Rio, Cláudio Castro, e à política de segurança do estado.
“O presidente vinha adotando uma postura cautelosa, mas a avalanche de críticas nas redes sociais e o avanço do discurso da direita devem forçar uma mudança de estratégia”, explicou a colunista.
Imagens da operação e tensão política
Enquanto o governo tenta reagir, o governador Cláudio Castro deve prestar esclarecimentos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator da ADPF das Favelas, que determina limites às ações policiais. De acordo com informações obtidas por Bergamo, o governador pretende mostrar a Moraes um filme com horas de gravações feitas por drones da Polícia Militar durante a operação.
Um parlamentar ouvido pela colunista afirmou que as imagens são “muito fortes”, mostrando o confronto e as mortes ocorridas na mata. Segundo ele, o material comprovaria que “os suspeitos estavam armados e reagiram”, mas a colunista ponderou que não existe pena de morte no Brasil, e que as circunstâncias das mortes devem ser apuradas.
As imagens, que ainda não vieram a público, estão sob sigilo. O governador teria exibido parte delas a aliados políticos e pretende entregá-las ao Supremo na próxima semana. “A intenção é não divulgar tudo, apenas trechos”, relatou Bergamo.
Investigações e relatos dramáticos
A colunista também destacou que o episódio deve ter desdobramentos prolongados, com investigações do Ministério Público, Polícia Federal e Defensoria Pública. Segundo relatos obtidos pela Defensoria, familiares enfrentam dificuldades para reconhecer corpos e realizar velórios. “Há pessoas que não têm dinheiro nem para enterrar os parentes mortos”, relatou Bergamo, citando o defensor público Pedro Carriello, que acompanha o caso.
A Defensoria também denunciou que familiares estavam sendo interrogados por policiais no IML durante o reconhecimento de corpos, prática interrompida após intervenção do órgão. “As pessoas têm direito ao luto, não é hora de tomar depoimento”, destacou a colunista, reproduzindo o relato do defensor.
Para Mônica Bergamo, as consequências políticas e sociais da operação ainda estão longe de terminar. “O governo tenta retomar o protagonismo e a direita se fortalece com a pauta da segurança pública. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por transparência e por respostas sobre a legalidade e a proporcionalidade da ação”, resumiu.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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