O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, considerou produtiva a reunião realizada com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, após a operação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão na semana passada. Segundo apuração da colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM, o magistrado deve relatar o encontro aos colegas da Corte nesta semana, mas, em conversas reservadas, já indicou que o governador demonstrou disposição em prestar informações e se justificar perante o Supremo.
De acordo com Bergamo, Moraes ouviu de Castro que a operação teria seguido as regras estabelecidas pela ADPF das Favelas, ação que define parâmetros para o uso da força policial em comunidades. O governador afirmou que a ação foi planejada com acompanhamento judicial e do Ministério Público, concentrando-se “em áreas não residenciais e com uso proporcional da força”.
Para a colunista, a postura do governador contrasta com as declarações anteriores, quando ele chegou a criticar a decisão do Supremo que impõe limites às incursões policiais. “Ele agora adotou um tom mais institucional, afirmando que cumpriu as normas determinadas pelo tribunal”, observou Bergamo.
Possível vazamento e novas investigações
Apesar da aparente harmonia durante o encontro, Bergamo apurou que diversas dúvidas ainda precisam ser esclarecidas, incluindo a suspeita de que chefes do Comando Vermelho teriam sido avisados previamente sobre a operação. Segundo registro oficial obtido pela Folha de S.Paulo, policiais afirmaram que criminosos receberam informações vazadas cerca de quatro horas antes do início da ação, o que teria permitido a fuga de chefes do tráfico. O caso será investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Perfil e visão de Alexandre de Moraes
Mônica Bergamo também destacou o perfil de Alexandre de Moraes, lembrando que o ministro é rigoroso no combate ao crime organizado, mas defende que o Estado atue dentro da legalidade. “Ele acredita que o Brasil prende muito, mas prende mal”, explicou. Moraes costuma defender penas mais duras para lideranças criminosas e alternativas para pequenos infratores, além de criticar o uso excessivo da força policial sem controle institucional.
Durante sua passagem pela Secretaria de Segurança de São Paulo, Moraes chegou a demitir dezenas de agentes acusados de violência contra menores em unidades da Febem, exemplificando seu histórico de tolerância zero com abusos de autoridade.
Bergamo avaliou que o ministro deve manter a mesma postura de equilíbrio no caso do Rio de Janeiro. “Ele é duro com o crime, mas igualmente duro com os abusos cometidos pelo Estado”, afirmou. A expectativa é de que Moraes compartilhe detalhes da reunião com os demais ministros e acompanhe de perto as apurações sobre possíveis irregularidades na operação.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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