A troca no advogado de defesa de Daniel Vorcaro aumenta a expectativa por uma delação premiada do banqueiro. No entanto, a colaboração ainda enfrenta uma série de “pedras no caminho”. A avaliação é da colunista Mônica Bergamo.
No fim de semana, Pierpaolo Bottini deixou o caso Master e foi substituído pelo advogado criminalista José Luís Oliveira Lima, conhecido por negociar acordos de delação premiada. Já na última sexta-feira (13), o Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter Vorcaro preso. A decisão de André Mendonça segue em análise na Segunda Turma, com votos do próprio Mendonça, além de Luiz Fux e de Kássio Nunes Marques para que ele siga preso. Falta ainda o voto de Gilmar Mendes, que tem como prazo até sexta-feira, dia 20 de março, mesmo que a prisão já esteja definida.A colunista lembra que, mesmo se o acordo de delação for firmado, não é um processo simples, como delatar e ser solto na sequência. Ele pode até delatar e mudar as perspectivas de sair da prisão, mas não é algo imediato. Mônica trouxe o exemplo de Marcelo Odebrecht, que seguiu preso mesmo após delatar na Operação Lava Jato. Ele conseguiu baixar a pena de regime fechado de 20 para 10 anos de prisão, mas seguiu mais um ano preso, depois passou para um período de prisão domiciliar, mas com restrições, sem poder sair ou receber visitas.Mônica aponta que outra questão é quem vai ser delatado por Daniel Vorcaro. Por exemplo, se ele vai citar as relações com ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, como revelou a Polícia Federal. Mônica lembra que, mesmo delatando, é preciso apresentar provas de eventuais crimes.
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