
Ministro Alexandre de Moraes
Antonio Augusto/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) um pedido da defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro do governo Bolsonaro, para instalar uma televisão a cabo em sua cela. O ex-titular da Casa Civil e da Defesa foi condenado a 26 anos de prisão por participação na trama de um golpe de Estado
O pedido para a instalação do aparelho, cujos custos de instalação e mensalidade seriam integralmente cobertos pelo general, segundo os advogados, visa garantir o acesso a canais de notícias.
A defesa também havia soilcitado autorização para que o militar cursasse uma faculdade na modalidade de ensino a distância (EAD) visando a remição de pena.
Contexto da Prisão
Braga Netto está preso preventivamente desde dezembro de 2024 e começou a cumprir a pena em novembro de 2025.
A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes após a Polícia Federal apontar que o general atuava para interferir nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Posteriormente, em setembro do ano passado, o ex-ministro foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Ele cumpre pena no Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro.
Justificativas da defesa
No pedido enviado ao STF, a defesa de Braga Netto argumentava que o acesso à informação é um direito e que o acompanhamento de notícias contribuiria para a ressocialização do general.
Os advogados reforçavam que essa possibilidade se tornava ainda mais relevante pelo fato de ele ser o único custodiado na unidade militar, o que impõe uma rotina de isolamento.
Quanto ao pedido para estudar, a defesa se ampara na Lei de Execução Penal, que permite a redução de um dia de pena a cada 12 horas de estudo comprovadas. O ministro ainda não decidiu sobre essa solicitação. Foram listados cursos de uma faculdade privada como opções para o general.
Futuro do General
Paralelamente, o futuro de Braga Netto nas Forças Armadas está em jogo. O Superior Tribunal Militar (STM) deu um prazo de dez dias para que ele e outros militares condenados pela trama golpista apresentem defesa em um processo que pode levar à perda de suas patentes. A Procuradoria-Geral Militar pediu a expulsão do general do Exército, e o caso será analisado pelo plenário do STM.
Caso a decisão seja pela perda da patente, os condenados podem ter que deixar os alojamentos especiais onde cumprem pena.
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