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Novo Papa pode manter linha reformista, mas favoritismo não garante eleição, diz vaticanista

Com 108 dos 135 cardeais escolhidos por Francisco, Conclave começa sob expectativa de continuidade; especialista destaca imprevisibilidade da escolha

Da redação
DA REDAÇÃO

03/05/2025 • 10:43 • Atualizado em 03/05/2025 • 10:43

Membros do clero participam do funeral do Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano

Membros do clero participam do funeral do Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano

Dylan Martinez/Reuters

Com a morte do Papa Francisco, a Igreja Católica se prepara para mais um conclave que definirá o novo pontífice. Entre os especialistas que acompanharão de perto o processo está o professor de Relações Internacionais da FAAP e vaticanista Igor Alves, que embarca nesta segunda-feira (5) para Roma, onde permanecerá durante a semana decisiva no Vaticano. Em entrevista à BandNews FM, Alves comentou os bastidores da sucessão papal e os possíveis impactos do novo líder sobre a Igreja e o mundo.Segundo o professor, o tempo de duração do conclave é imprevisível, mas os últimos processos têm sido mais ágeis. “Minha impressão é de que será um conclave com média de três a cinco dias”, afirmou. Apesar de já haver conversas entre cardeais, muitos deles se encontrarão presencialmente pela primeira vez apenas agora, o que pode influenciar na demora da escolha.Francisco indicou 108 dos 135 cardeais que hoje têm direito a voto, o que, para Alves, não garante a escolha de um sucessor com perfil reformista. “É importante lembrar que os favoritos, muitas vezes, não são eleitos. Mas é claro que um Papa bem visto internacionalmente, como Francisco, deixa influência entre os votantes”, explicou. Um dos nomes citados como possível sucessor é o do cardeal Pietro Parolin, que ocupou postos-chave na diplomacia do Vaticano e era próximo do Papa argentino.

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Questionado sobre a influência de líderes internacionais, o especialista minimizou o peso dessas pressões. “Os cardeais fundamentalmente preocupados com questões que são da própria Igreja. Existe pressão externa, mas dificilmente isso chega às quatro paredes da Capela Sistina e define alguma coisa”, disse. Ainda assim, ele reconhece que a polarização global cria um ambiente onde diferentes alas dentro da Igreja também disputam espaço, entre mais progressistas e mais conservadoras.Alves também destacou que a escolha do novo Papa pode impactar a vida prática de milhões de católicos ao redor do mundo. Com 1,4 bilhão de fiéis, a Igreja precisa lidar com temas como inclusão da comunidade LGBT, o papel das mulheres, além de questões relacionadas a divorciados. “As reformas de Francisco chegaram ao limite do que a Igreja estava preparada para aceitar. O novo Papa vai ter que lidar com muita pressão.”Além da cobertura jornalística, o professor está à frente do projeto colaborativo @conclave.2025 no Instagram, criado por ele e mais de 20 alunos da FAAP. A página reúne perfis dos cardeais eleitores e promete atualizações diárias diretamente de Roma durante a semana do conclave. “É um canal informativo, pensado para aproximar o público das decisões que estão sendo tomadas na Santa Sé”, afirmou.

O conclave que escolherá o novo líder da Igreja Católica começará na próxima quarta-feira (7).