
Membros do clero participam do funeral do Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano
Dylan Martinez/Reuters
Com a morte do Papa Francisco, a Igreja Católica se prepara para mais um conclave que definirá o novo pontífice. Entre os especialistas que acompanharão de perto o processo está o professor de Relações Internacionais da FAAP e vaticanista Igor Alves, que embarca nesta segunda-feira (5) para Roma, onde permanecerá durante a semana decisiva no Vaticano. Em entrevista à BandNews FM, Alves comentou os bastidores da sucessão papal e os possíveis impactos do novo líder sobre a Igreja e o mundo.Segundo o professor, o tempo de duração do conclave é imprevisível, mas os últimos processos têm sido mais ágeis. “Minha impressão é de que será um conclave com média de três a cinco dias”, afirmou. Apesar de já haver conversas entre cardeais, muitos deles se encontrarão presencialmente pela primeira vez apenas agora, o que pode influenciar na demora da escolha.Francisco indicou 108 dos 135 cardeais que hoje têm direito a voto, o que, para Alves, não garante a escolha de um sucessor com perfil reformista. “É importante lembrar que os favoritos, muitas vezes, não são eleitos. Mas é claro que um Papa bem visto internacionalmente, como Francisco, deixa influência entre os votantes”, explicou. Um dos nomes citados como possível sucessor é o do cardeal Pietro Parolin, que ocupou postos-chave na diplomacia do Vaticano e era próximo do Papa argentino.
Questionado sobre a influência de líderes internacionais, o especialista minimizou o peso dessas pressões. “Os cardeais fundamentalmente preocupados com questões que são da própria Igreja. Existe pressão externa, mas dificilmente isso chega às quatro paredes da Capela Sistina e define alguma coisa”, disse. Ainda assim, ele reconhece que a polarização global cria um ambiente onde diferentes alas dentro da Igreja também disputam espaço, entre mais progressistas e mais conservadoras.Alves também destacou que a escolha do novo Papa pode impactar a vida prática de milhões de católicos ao redor do mundo. Com 1,4 bilhão de fiéis, a Igreja precisa lidar com temas como inclusão da comunidade LGBT, o papel das mulheres, além de questões relacionadas a divorciados. “As reformas de Francisco chegaram ao limite do que a Igreja estava preparada para aceitar. O novo Papa vai ter que lidar com muita pressão.”Além da cobertura jornalística, o professor está à frente do projeto colaborativo @conclave.2025 no Instagram, criado por ele e mais de 20 alunos da FAAP. A página reúne perfis dos cardeais eleitores e promete atualizações diárias diretamente de Roma durante a semana do conclave. “É um canal informativo, pensado para aproximar o público das decisões que estão sendo tomadas na Santa Sé”, afirmou.
O conclave que escolherá o novo líder da Igreja Católica começará na próxima quarta-feira (7).
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