O novo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, conhecido como delegado Nico, assume o comando da pasta com o objetivo declarado de endurecer o combate ao crime organizado, à pedofilia, ao feminicídio e aos furtos e roubos de celulares e motos. Em entrevista à BandNews FM, o secretário afirmou que pretende manter os índices alcançados na gestão de Guilherme Derrite e buscar avanços em áreas consideradas críticas pela população.
Trajetória na Polícia Civil e perfil operacional
Delegado de carreira há mais de quatro décadas, Oswaldo Nico Gonçalves começou como investigador de polícia e passou por diversos departamentos da Polícia Civil, como Decap, Deic, Garra e DHPP. Ele também foi responsável por fundar o primeiro grupo de operações especiais da Polícia Civil, o que consolidou sua imagem de policial de atuação direta em campo.
Nico ficou conhecido nacionalmente por participar de casos de grande repercussão, como o sequestro de Silvio Santos, a prisão de Fabrício Queiroz, em Atibaia, e a voz de prisão dada em campo a um jogador argentino em episódio de racismo contra o atacante Grafite, no início dos anos 2000.
Ao falar sobre a nova função, o secretário faz questão de ressaltar que não pretende mudar o estilo direto: diz que não tem “foco político” e que se vê, antes de tudo, como policial.
Prioridades: pedofilia, feminicídio e proteção às mulheres
Logo nos primeiros dias no cargo, Nico destacou o combate à pedofilia como uma das principais frentes. Ele citou uma operação recente que prendeu cinco suspeitos de crimes sexuais contra crianças, em ação que contou com cooperação internacional e identificou envio de imagens para o exterior.
Outro eixo central da nova gestão será o enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica. Entre janeiro e outubro de 2025, o Estado registrou 53 casos de feminicídio, número superior aos 42 casos de 2024 e aos 31 de 2023. Diante da escalada, o secretário afirma que pretende priorizar o cumprimento de mandados de prisão em aberto contra agressores e reforçar a rede de proteção.
Nico citou como instrumentos já disponíveis:
- Mais de 50 cabines da Polícia Militar especializadas no atendimento a mulheres;
- Mais de 180 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), sendo 17 com funcionamento 24 horas;
- Uso de aplicativos e botões de pânico, integrados a tornozeleiras eletrônicas, que alertam a polícia quando o agressor se aproxima da vítima.
Para o secretário, a conscientização da sociedade segue como peça-chave. Ele reforça a importância de vizinhos e familiares denunciarem sinais de abuso, lembrando que a violência, muitas vezes, começa com gritos e humilhações, passa por agressões físicas e “asfixia financeira” até chegar ao feminicídio.
Golpes virtuais, furtos de celular e roubo de motos
Nico também apontou o crescimento dos golpes virtuais como um dos grandes desafios atuais. Segundo ele, a divisão especializada em crimes cibernéticos da Polícia Civil deverá ser elevada a departamento, em razão da complexidade e do volume de casos.
Ele citou operações recentes em que a polícia desarticulou centrais de telemarketing criminoso responsáveis por golpes como:
- falsas ofertas para reduzir pontuação em cadastros de crédito;
- falsas comunicações sobre uso indevido de cartões;
- venda de ingressos inexistentes para zoológico e aquário de São Paulo, por meio de sites falsos.
Outro foco serão os furtos e roubos de celulares. Em uma das ações recentes, a polícia apreendeu 10.820 aparelhos em lojas suspeitas de receptação, conseguindo devolver cerca de 200 celulares no mesmo dia aos donos. O secretário relatou casos de vítimas que ainda pagavam prestações quando tiveram o aparelho recuperado.
No caso de motos, ele reconhece a preocupação tanto de motociclistas — que perdem o instrumento de trabalho — quanto de pedestres, que temem assaltos cometidos por criminosos em motocicletas. Para enfrentar o problema, Nico aposta no policiamento ostensivo da Polícia Militar e na necessidade de endurecer a legislação, criticando o que chama de “porta giratória”, com prisões seguidas de solturas rápidas.
Enfrentamento ao crime organizado e à Cracolândia
No campo do crime organizado, o secretário citou as investigações sobre o assassinato do ex-delegado-geral Rui Ferraz Fontes. Um dos presos, apelidado de “Fiel”, é, segundo Nico, ligado a facção criminosa e especializado em planejar ataques contra autoridades. A Polícia Civil trabalha para esclarecer a motivação do crime e tenta recuperar dados do celular destruído do suspeito para identificar mandantes.
Nico também defendeu a estratégia de asfixia financeira das facções, mencionando o fechamento de quase 80 hotéis na região da Cracolândia, no Centro da capital, usados para o tráfico e a hospedagem de usuários. A ideia é cortar as fontes de renda do crime e, ao mesmo tempo, recuperar áreas degradadas da cidade.
Sobre a relação com a Polícia Federal, o secretário afirma que não vê disputa de competências e considera a PF uma “parceira” em operações conjuntas, inclusive no combate às facções e a esquemas de lavagem de dinheiro.
Aproximação com a comunidade e reforço de efetivo
Nico destacou ainda a importância dos Conselhos Comunitários de Segurança (Conseg) e disse estar participando de reuniões com moradores para ouvir críticas e demandas locais. Ele reconhece que há sempre pressão por mais viaturas e efetivo, mas cita a contratação de 7.500 policiais civis e a formação de novos oficiais na Academia do Barro Branco como sinal de reforço gradual nas forças de segurança.
Ao assumir a Secretaria de Segurança Pública, o delegado Nico afirma que pretende manter o estilo próximo da base policial e da população, e resume a sua diretriz: priorizar o combate ao crime, com foco em resultados concretos nas ruas.
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