
Irã põe em órbita três satélites simultaneamente pela 1ª vez
REUTERS/Akhtar Soomro
O Conselho de Segurança da ONU confirmou, nesta sexta-feira (26), a reimposição das sanções ao Irã relacionadas ao programa nuclear, ao rejeitar uma proposta de Rússia e China que buscava adiar por seis meses o chamado mecanismo de “snapback”. As medidas voltam a vigorar às 22H de sábado (horário de Brasília), após iniciativa do grupo europeu (Reino Unido, França e Alemanha) que acusou Teerã de violar o acordo de 2015.
Desenvolvimento
A votação desta sexta-feira encerrou a última tentativa de adiar o retorno automático das sanções previsto na Resolução 2231, que incorporou o acordo nuclear (JCPOA) ao sistema da ONU. A proposta apresentada por Moscou e Pequim não obteve os nove votos necessários e encontrou oposição direta dos países europeus e dos Estados Unidos.
Diante da perspectiva de reimposição das sanções, Teerã avisou que poderá suspender um acordo recente de inspeções com a Agência Internacional de Energia Atómica ou Atômica (AIEA), firmado para retomada de cooperação técnica após ataques a instalações nucleares iranianas no meio do ano. O chanceler Abbas Araqchi afirmou que qualquer “ação hostil”, incluindo o “snapback”, levaria à revisão do entendimento.
Em paralelo, Israel intensificou a pressão diplomática. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pediu que a ONU impeça a “reconstrução” da capacidade nuclear e militar iraniana e destacou a necessidade de eliminar estoques de urânio enriquecido acumulados por Teerã. O apelo ocorreu na véspera da entrada em vigor das sanções reimpostas.
O que muda com o “snapback” de sanções
Com a volta das sanções da ONU, devem ser restabelecidas restrições a atividades relacionadas a mísseis, comércio de armas, componentes sensíveis ao ciclo do urânio, além de congelamento de bens e proibições de viagem a indivíduos e entidades ligadas ao programa nuclear e a forças militares iranianas. Essas medidas haviam sido suspensas em 2015 com a assinatura do JCPOA, mas o acordo vem se desestruturando desde a saída dos EUA em 2018 e dos avanços iranianos no enriquecimento de urânio.
Diplomaticamente, europeus sinalizaram, nos últimos dias, que aceitariam discutir um adiamento do retorno das sanções se o Irã retomasse cooperação ampla com a AIEA, reabrisse inspeções sem restrições e engajasse em diálogo direto com Washington. No entanto, não houve consenso e a proposta russa e chinesa, colocada em votação nesta sexta, foi rejeitada pelo Conselho.
AIEA e violações do acordo nuclear
Relatórios recentes da AIEA indicaram crescimento do estoque de urânio altamente enriquecido no Irã, perda de “continuidade de conhecimento” sobre equipamentos críticos e anúncios iranianos de novas capacidades de enriquecimento — fatores que alimentaram a decisão europeia de acionar o “snapback”. O órgão também relatou dificuldades de verificação após a suspensão de algumas medidas de monitoramento por parte de Teerã.
Repercussão e próximos passos
Com a confirmação do retorno das sanções pela ONU nesta sexta-feira, a vigência das medidas a partir de sábado marcará um novo capítulo na disputa internacional em torno do programa nuclear iraniano e da capacidade de verificação da AIEA, com impacto direto sobre o ritmo de futuras negociações.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.


