
ONU declara escravidão de africanos como “crime mais grave da humanidade”
Reprodução: Ludovic MARIN / AFP
Resumo
A ONU classificou o tráfico e a escravidão de africanos para as Américas, entre os séculos 15 e 19, como o crime mais grave da história, afetando mais de 12,5 milhões de pessoas.
A resolução foi proposta por Gana e aprovada por 123 dos 185 países presentes, incluindo o Brasil, com 52 abstenções de nações como Espanha, Reino Unido e Portugal.
Estados Unidos, Argentina e Israel votaram contra, argumentando que a medida cria hierarquia entre crimes contra a humanidade, enquanto Gana defende reparações e apenas a Holanda apresentou pedido formal de desculpas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o tráfico e a escravidão de africanos para as Américas como o crime mais grave da história da humanidade. Mais de 12,5 milhões de homens, mulheres e crianças foram escravizados entre os séculos XV (15) e XIX (19).
A resolução foi uma proposta de Gana e votada por 185 países em uma sessão especial da ONU, nesta quarta-feira (25). No total, 123 aprovaram o documento -- entre eles, o Brasil -- e 52 nações se abstiveram dos votos, como a Espanha, o Reino Unido e Portugal.
Apenas os Estados Unidos, a Argentina e Israel votaram contra. Os três países argumentaram que a votação poderia resultar em uma hierarquia entre crimes contra a humanidade, tratando alguns com mais gravidade do que outros.
O embaixador americano na ONU, Dan Negrea, declarou que Washington se opõe ao “uso cínico de injustiças históricas como moeda de troca” com o intuito de realocar recursos modernos para quem tem pouca relação com as vítimas históricas.
O presidente ganês, John Dramani Mahama, acusou os Estados Unidos e a União Europeia de tentarem normalizar o apagamento da história de uma civilização. Gana afirma que tem a intenção de realizar uma reparação e justiça dos descendentes dos africanos que foram escravizados e sofrem até hoje com diferenças raciais e sociais.
Os Países Baixos (Holanda) foram a única nação que realizou um pedido formal de desculpas pelo papel na colonização e escravidão dos africanos.

