Resumo
A cotação do barril de petróleo Brent caiu pelo terceiro pregão consecutivo, atingindo US$ 76, menor valor desde o início do conflito no Oriente Médio, devido à expectativa de acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e previsão de cessar-fogo entre Líbano e Israel.
A reabertura parcial do Estreito de Ormuz reduziu custos de fretes e combustíveis no mercado internacional, mas no Brasil o impacto foi limitado pela valorização do dólar, que fechou a R$ 5,18, mantendo pressão sobre preços internos e gerando cautela entre investidores.
As projeções inflacionárias permanecem elevadas, com o Banco Central admitindo maior risco de alta de preços e adotando estratégia de alongar o prazo para atingir a meta de inflação, o que pode prejudicar famílias de baixa renda segundo avaliação da jornalista Juliana Rosa.
A cotação do barril de petróleo Brent caiu pelo terceiro pregão consecutivo nesta quarta-feira (24), atingindo a marca de US$ 76, o menor valor desde 27 de fevereiro, um dia antes do início do conflito no Oriente Médio.
O recuo ocorre devido a um acordo de paz, que ainda não foi assinado, entre Estados Unidos e Irã. O tratado também prevê um cessar-fogo entre Líbano e Israel. A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, avaliou que o alívio no mercado reduz os temores sobre a inflação global, embora o cenário financeiro doméstico continue pressionado pelo câmbio e pelos juros altos.
A escalada histórica e o alívio no Oriente Médio
A cotação de US$ 76 representa uma forte reversão em relação ao pico do conflito, quando o barril atingiu o patamar de quase US$ 120 e ocasionou o fechamento total do Estreito de Ormuz, por onde escoam 20% do petróleo global. Atualmente, a passagem está parcialmente aberta.
Com a reabertura gradual das rotas de navegação na região do Golfo Pérsico, o custo dos fretes marítimos e dos combustíveis apresentou queda expressiva nos mercados internacionais. No Brasil, contudo, esse alívio é parcialmente neutralizado pela persistente valorização do dólar. A moeda norte-americana fechou a última terça-feira (23) cotada a R$ 5,18, mantendo a pressão sobre os preços internos e gerando forte cautela entre investidores e analistas.
Apesar da queda no preço do petróleo, as projeções inflacionárias para a economia brasileira continuam em patamar elevado. De acordo com Juliana Rosa, o próprio Banco Central admitiu que o balanço de riscos aponta para uma maior probabilidade de alta do índice de preços que de queda.
Expectativas para as próximas decisões monetárias
Para as futuras decisões do Banco Central, Juliana Rosa destaca que há uma aparente contradição nos comunicados da autarquia. O BC optou por reduzir o esforço para aproximar a inflação da meta estabelecida, estendendo o prazo até o início de 2028 e sinalizando o percentual de 3% como um piso informal.
A jornalista aponta que a estratégia é de alto risco, pois pode permitir que a inflação se estabeleça em patamares elevados por mais tempo, prejudicando principalmente as famílias de baixa renda.


