Band News FM
BandNews FM

PF de São Paulo assume investigação contra Grupo Fictor

Conglomerado empresarial entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 4 bilhões após tentativa de compra do Banco Master

Da redação
DA REDAÇÃO

05/02/2026 • 10:01 • Atualizado em 05/02/2026 • 10:01

Grupo Fictor: Recuperação Judicial e Crise do Banco Master

Grupo Fictor: Recuperação Judicial e Crise do Banco Master

Reprodução

Resumo

A Polícia Federal em São Paulo instaurou inquérito para investigar o Grupo Fictor, concentrando-se em possíveis crimes financeiros como gestão fraudulenta, apropriação indébita, emissão de títulos sem lastro e operação sem autorização do Banco Central.

A liquidação do Banco Master e a Operação Compliance Zero da PF prejudicaram a reputação do Grupo Fictor, causando crise de liquidez com saques que atingiram 71% dos R$ 3 bilhões recebidos em aportes e levando à rescisão de contratos comerciais e saída de investidores.

O Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 4 bilhões em dívidas, teve R$ 150 milhões bloqueados pela Justiça e é investigado pela PF por possíveis conexões com fraudes no Banco Master e no BRB.

A Polícia Federal (PF) em São Paulo, por meio da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), instaurou um inquérito para apurar a atuação do Grupo Fictor.

Compartilhar

A investigação, que agora se concentra na capital paulista, foca em quatro possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional: gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro e operação de uma instituição financeira sem a devida autorização do Banco Central.

O inquérito da Polícia Federal em São Paulo aprofundará a apuração sobre as práticas da empresa, que já era investigada sigilosamente desde 2023 e ocorre dias após a holding entrar com um pedido de recuperação judicial.

Na véspera da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, o conglomerado empresarial anunciou uma proposta bilionária para adquirir a instituição, o que foi visto pelo mercado e por autoridades como uma "cortina de fumaça" para desviar o foco dos problemas do Master.

De acordo com o grupo, a liquidação do banco no dia seguinte e a deflagração da Operação Compliance Zero pela PF, que investiga fraudes no Master, arrastaram a reputação do Grupo Fictor.

A holding alega que a "repercussão midiática negativa" gerou uma crise de liquidez, com pedidos de saques que alcançaram 71% dos R$ 3 bilhões que a empresa havia recebido em aportes de sócios até então.

Segundo o conglomerado, essa saída dos investidores e a rescisão de contratos comerciais levaram o grupo a uma situação financeira insustentável.

Desdobramentos e Recuperação Judicial

Como consequência direta da crise, o Grupo Fictor protocolou no início de fevereiro um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), declarando dívidas que somam aproximadamente R$ 4 bilhões.

A medida busca renegociar os compromissos e evitar a falência. Pouco antes, a Justiça já havia determinado o bloqueio de R$ 150 milhões em ativos do grupo, atendendo a uma garantia financeira exigida em contrato para uma operação de cartões de crédito empresariais feita pela Fictor Pay.

A investigação busca verificar a legalidade das operações da holding, que expandiu rapidamente seus negócios em diversos setores, desde tecnologia e agronegócio até alimentos e energia.

A PF também apura a possível conexão dos atos do Grupo Fictor com os crimes investigados na operação que apura fraudes no Banco Master e no Banco de Brasília (BRB).