
PIB
Reprodução/Pixabay
Resumo
Divulgação do PIB brasileiro mostra crescimento de 0,1% no terceiro trimestre de 2024, indicando desaceleração econômica em relação aos trimestres anteriores, conforme avaliação da colunista Juliana Rosa e dados do IBGE.
Desempenho da agropecuária e indústria extrativa impulsionou resultados, enquanto setores dependentes de crédito, como consumo das famílias e bens duráveis, registraram avanço modesto; mercado de trabalho apresenta sinais de perda de dinamismo, com recuo no número de ocupados.
Manutenção da taxa Selic em 15% pelo Banco Central visa controlar inflação, mas gera debate sobre momento adequado para cortes de juros, tema central nas próximas reuniões do Copom, diante das revisões metodológicas e possíveis flexibilizações condicionadas à trajetória fiscal.
O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2024, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (4). O resultado ficou no limite inferior das projeções do mercado e reforça a desaceleração da economia ao longo do ano, de acordo com avaliação da colunista da BandNews FM Juliana Rosa.
Segundo Juliana Rosa, no início do ano a economia vinha em trajetória de expansão mais forte, sustentada sobretudo pelo desempenho da agropecuária, que registrou safra recorde no primeiro trimestre e impulsionou serviços associados à logística, como transporte de cargas e armazenagem. O avanço de 1,5% nos três primeiros meses de 2024 foi seguido por uma alta de 0,3% no segundo trimestre, após revisão técnica do IBGE, e desacelerou para 0,1% entre julho e setembro.
A colunista da BandNews FM explica que o terceiro trimestre costuma concentrar ajustes e atualizações metodológicas, o que ajuda a entender a revisão dos números anteriores. Ainda assim, afirma que a trajetória de queda no ritmo de expansão está clara, com impacto direto da taxa básica de juros, mantida pelo Banco Central em 15%, o menor patamar desde a adoção do regime de metas.
Para Juliana Rosa, os setores mais dependentes de crédito são os que mais sentem os efeitos do juro alto. O consumo das famílias, por exemplo, avançou apenas 0,1% no período, refletindo menor disposição das famílias em assumir parcelamentos. O consumo de itens do dia a dia segue relativamente estável, mas compras de maior valor continuam em desaceleração.
Desaceleração afeta indústria e mercado de trabalho
O IBGE informou que a indústria cresceu 0,8% no trimestre, mas esse desempenho é concentrado na indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, gás e minério. Segmentos industriais voltados a bens duráveis, como veículos e eletrodomésticos, registraram avanço modesto ao longo de 2024, insuficiente para compensar a perda de fôlego de outros setores.
Juliana Rosa também destacou que, embora a taxa de desemprego esteja no menor nível histórico, há sinais de perda de dinamismo no mercado de trabalho. O número de pessoas ocupadas vem recuando nos últimos meses, indicando que a atividade econômica já pressiona a criação de vagas.
Para ela, o cenário coloca novamente no centro do debate a discussão sobre o momento adequado para o início do ciclo de cortes de juros. A colunista recorda a frase do economista Mário Henrique Simonsen — “para matar o carrapato, não é preciso matar a vaca” — ao defender que o combate à inflação precisa ser equilibrado com os riscos de uma recessão.
Projeções e debate sobre política monetária
Desde o início do ano, o Banco Central reforça que a economia brasileira desacelera, mas segue sustentada por um mercado de trabalho robusto. A autoridade monetária afirma que mantém a taxa Selic em 15% para assegurar a convergência da inflação às metas, observando que pressões de demanda ainda persistem.
A divulgação do PIB acrescenta novos elementos às próximas discussões do Comitê de Política Monetária (Copom). Analistas do mercado financeiro avaliam que, caso a desaceleração se intensifique nos próximos trimestres, poderá haver espaço para flexibilização gradual dos juros, cenário que depende também da trajetória fiscal.
O IBGE seguirá realizando revisões de dados recentes nos próximos meses, procedimento comum no período do terceiro trimestre, quando informações adicionais sobre agricultura, indústria e serviços são incorporadas às estimativas oficiais.
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