
Polícia Civil São Paulo
Divulgação/Agência SP
O manobrista que era responsável pela manutenção da piscina da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, presta depoimento nesta terça-feira (10). A polícia investiga se as misturas de produtos químicos utilizados na água seriam a causa da morte de uma mulher e da intoxicação de pelo menos outras cinco pessoas.
Juliana Bassetto, de 27 anos, participava da última aula de natação do dia quando começou a se sentir mal, no último sábado (7). Ela foi retirada da piscina com a ajuda do marido e levada a um hospital, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Câmeras de segurança registraram o manobrista manuseando produtos químicos e deixando um balde ao lado da piscina, que é um local fechado e sem ventilação. A suspeita é que a reação química no balde tenha liberado uma fumaça tóxica, intoxicando os alunos.
Vítimas e negligência
Além de Juliana, outras três pessoas estão internadas em estado grave. O marido da vítima, que a socorreu, também passou mal e segue hospitalizado. Um adolescente de 14 anos teve manchas nos pulmões reveladas por exames de ressonância magnética. Outra mulher, de 29 anos, melhorou ao chegar em casa, mas apresentou novos sintomas e foi internada na UTI.
Familiares de Juliana alegam que a academia não prestou o socorro adequado. Eduardo, outro aluno que estava no local, descreveu o ocorrido como uma "bomba no ar".
"A gente passou perto desse balde e estava um cheiro muito forte, a gente sentiu queimar o olho, nariz, garganta, pulmão. A gente não conseguia respirar", relatou.
Academia irregular e risco químico
Durante as investigações, a polícia descobriu que a academia operava com o alvará de funcionamento vencido desde 2023, além de apresentar outras irregularidades, como problemas na rede elétrica. Os proprietários do estabelecimento também serão interrogados.
O professor Tiago Carreira, do Departamento de Química Fundamental da USP, explicou os perigos de combinar produtos de limpeza. Segundo ele, a mistura de produtos à base de cloro com ácidos ou compostos de amônia pode gerar cloro gasoso ou cloroaminas, substâncias altamente tóxicas.
"A recomendação é nunca misturar produtos de limpeza, porque eles são feitos de compostos diferentes e esses compostos podem reagir entre si e formar uma substância perigosa", alertou.
A Secretaria Municipal da Saúde informou em nota que locais com piscina necessitam de licenciamento sanitário e que as inspeções são feitas a partir de denúncias. A polícia aguarda os laudos periciais para confirmar qual substância foi utilizada e se houve negligência no manuseio dos produtos.
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