Prefeituras adotam novas medidas para evitar furtos em sinais
Cidades investem em cabos de menor valor, sistemas subterrâneos, fibra óptica e energia solar para reduzir furtos e prejuízos em semáforos

Prefeituras de diferentes cidades brasileiras estão adotando novas medidas para reduzir furtos de cabos em sinais de trânsito. Entre as estratégias estão a substituição por materiais de menor valor comercial, como o alumínio, o aterramento de cabos e a modernização dos sistemas de comunicação entre semáforos.
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Em Porto Alegre, a troca gradual dos cabos de cobre por alumínio começou em 2023. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação, já foram instalados 58 mil metros do novo material na sinalização viária da cidade. De acordo com o órgão, a mudança tem reduzido os furtos nas áreas onde foi implantada.
O representante da empresa, Gustavo Roth, explica que o material tem menor interesse comercial. Ele afirma: “Os locais onde eles furtam uma vez no alumínio, não voltam a ser furtados. E o que a gente tem feito com isso? Tem procurado sempre repor com esse material novo. É um cabo cinza que tem escrito na lateral, alumínio, e ‘sem valor comercial’. Então, a gente coloca sempre, só que eles vão sempre em busca de locais novos. Eles localizam onde não tem o cabo de alumínio, param de arrancar o cabo de alumínio e migram para outra localização.”
Em São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego está substituindo o sistema aéreo por cabos subterrâneos. Segundo a CET, a mudança busca não só reduzir furtos, mas também evitar danos causados por veículos altos ou quedas de árvores. A companhia informa ainda que houve queda de mais de 50% no volume de cabos furtados entre 2023 e 2025.
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O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, afirma que não há uma única solução para o problema. Ele diz: “O furto de cabos de semáforos tornou-se um dos principais problemas operacionais dos sistemas de trânsito nas cidades brasileiras. A experiência internacional mostra que não há uma solução única. Então, as alternativas são a substituição por cabos de alumínio ou cabos de alumínio cobreados, cabos de fibra ótica, quando aplicáveis, comunicação por rádio, caixa subterrânea... Isso demanda investimento e planejamento nas cidades. E, também, associado a isso, a fiscalização do mercado de sucata, o endurecimento dessas regras, saber quem são os receptores.”
Em Florianópolis, parte dos semáforos já utiliza comunicação por redes móveis, semelhante à telefonia celular, e também por fibra óptica. Segundo a prefeitura, a medida faz parte da modernização do sistema de trânsito e não tem relação direta com furtos.
Em Porto Alegre, 70% dos sinais já não utilizam cabos de comunicação. A ligação com a central é feita por 4G ou fibra óptica. Segundo a Gerente de Desenvolvimento e Inovação da Empresa Pública de Transporte e Circulação, Júlia Freitas, isso reduz o impacto dos furtos no funcionamento dos sinais. Ela afirma: “Para o sincronismo, a diferença agora dos que já estão com a nova tecnologia é que, se corta a energia de um semáforo, os outros sincronizados não perdem a comunicação, vai perder (a comunicação) só daquele. O furto ainda ocasiona problemas, mas é um impacto menor do que antes, quando a gente tinha tudo ligado por cabos.”
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Outra alternativa em estudo é o uso de energia solar nos semáforos. Em São Paulo, um equipamento desse tipo já funciona em caráter experimental no cruzamento da Avenida do Estado com a Praça Alberto Lion.
O diretor comercial da Damata Solar, João da Mata, afirma que a tecnologia pode ser mais usada no futuro. Ele diz: “Muitas construtoras adquirem esse equipamento para substituir aquele pessoal que fica na estrada quando acontecem obras na interrupção de via. Então, substituir aqueles caras que ficam com a bandeirinha. A gente substitui isso por um sistema de semáforo sincronizado por GPS, com uso de energia solar.”
No Rio de Janeiro, o furto de cabos é considerado um problema recorrente. Segundo a CET-Rio, entre janeiro e maio deste ano, 455 sinais de trânsito tiveram o funcionamento afetado, com prejuízo superior a 2,4 milhões de reais.
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A companhia informa que tem adotado medidas como soldagem das caixas de cabos, instalação dos equipamentos em postes mais altos e uso de garras antifurto. Em áreas mais críticas, os cabos estão sendo enterrados no solo.
A CET-Rio também afirma que o município já utiliza, desde 2011, tecnologia de comunicação por rede móvel para alguns semáforos. Sobre energia solar, a companhia diz que já estudou o sistema, mas que ele seria aplicado apenas em locais sem acesso à rede elétrica. A aposta atual é no uso de no-breaks, com autonomia superior a 10 horas, já implantados na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.
