Os Estados Unidos oficializaram, na noite de quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das exportações do Brasil, após o encerramento de uma investigação baseada na lei de comércio norte-americana.
A medida de Washington, classificada pelo governo brasileiro como um "marco lastimável", entra em vigor em 22/07, gerando forte apreensão no setor industrial nacional.
Embora as tarifas representem um duro golpe, a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, afirma que houve um alento com a ampliação da lista de exceções. Os norte-americanos acrescentaram cerca de 400 novos itens à relação de isenções fiscais, poupando da sobretaxa mercadorias importantes como o café solúvel, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, mel orgânico, sucata de ferro e determinados tipos de madeira.
Prejuízos à indústria nacional e risco de novas taxas
Apesar da expansão de itens livres das tarifas, os principais bens da indústria brasileira não foram poupados pelo governo dos EUA. Setores de peso, como as fabricantes de calçados e a indústria de máquinas e peças industriais, ficaram de fora da lista de exceções e serão taxados em 25%. Segundo Juliana Rosa, os produtos desses segmentos perderão competitividade no mercado norte-americano.
Além disso, há ainda uma preocupação com mais uma taxa dos EUA, dessa vez de 12,5%, que investigam cerca de 60 países por trabalho análogo à escravidão. O Brasil também está nesta lista. A colunista ressalta que as alíquotas totais sobre alguns produtos exportados podem atingir a preocupante marca de 37,5%, inviabilizando diversos negócios.
Negociações comerciais e o debate sobre a reciprocidade
Segundo apuração da jornalista, nos bastidores das confederações brasileiras, a principal orientação no momento é que o governo federal evite adotar a Lei da Reciprocidade de forma intempestiva. A avaliação do setor produtivo é que revidar com as mesmas tarifas pode acirrar os ânimos com Washington e ampliar o conflito comercial, resultando em danos ainda maiores para a economia nacional.
A alternativa sugerida por líderes industriais é que a diplomacia brasileira mude a estratégia e ofereça propostas comerciais concretas e atrativas aos americanos. Acordos estratégicos envolvendo o fornecimento de terras raras ou parcerias no mercado de etanol são apontados como caminhos viáveis para que os Estados Unidos revejam as tarifas.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:



