Uma pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (2) de novembro mostra um dado preocupante: 4,9 milhões de cariocas vivem em áreas onde há presença do crime organizado e milícias no estado do Rio de Janeiro.
A percepção é maior entre moradores de comunidades, 68%, em relação aos que estão fora dessas áreas, 38%. Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados afirmam que o local onde moram conta com a presença de facções criminosas ou milícias. Eles também afirmam já ter visto pessoas portando fuzis nos últimos 12 meses.
Entre os entrevistados, 46% disseram ter mais medo de criminosos e facções, 18% da milícia e 6% da polícia. Outros 20% disseram temer todos na mesma proporção. Em 2019, a pesquisa já mostrava um cenário parecido, com 34% dizendo ter mais medo de traficantes, 27% da milícia e 12% da polícia.
Entre quem mora em comunidades, 39% disseram ter mais medo de criminosos e traficantes do que da polícia, que registrou 14%. Já entre quem vive em outras localidades, 50% afirmaram temer mais os traficantes, enquanto apenas 3% dizem ter mais medo da polícia.
Na capital, 48% disseram viver em áreas com presença do crime organizado, número próximo ao da região metropolitana, onde 46% relataram a mesma situação. Sobre a afirmação “traficantes são terroristas”, 62% concordaram plenamente e 12% concordaram em parte. Por outro lado, 10% discordam em parte e 13% discordam totalmente. Apenas 1% não se posicionou e 2% não souberam responder. Para 66% dos entrevistados, as ações do crime organizado interferem diretamente em suas vidas.
14% afirmaram ter pago algum tipo de taxa ou serviço ao crime, como água, luz ou TV a cabo, e 18% disseram que há vigilância privada prestada por policiais de folga em seus bairros.
O levantamento também aponta que 59% dos entrevistados deixariam o estado se pudessem, o equivalente a 6,2 milhões de pessoas. A vontade de se mudar do Rio de Janeiro é mais frequente entre quem aprova a gestão do governador Cláudio Castro, do PL, e eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pesquisa foi realizada entre quarta (29) e sexta (31), após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, que deixou ao menos 121 mortos. A margem de erro é de quatro pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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