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Rodízio Mounjaro: economia da magreza transforma economia

Com a queda no consumo, bares e restaurantes criam novos formatos de serviço, enquanto setor de cosméticos foca em produtos para efeitos do emagrecimento rápido

Por Redação
REDAÇÃO

18/01/2026 • 15:55 • Atualizado em 18/01/2026 • 15:55

Isabela Mota
Resumo

Popularização de medicamentos para perda de peso, como Mounjaro, provoca rápida adaptação nos setores de alimentação e cosméticos do Brasil, com mudanças em modelos de negócios, como rodízios com porções menores, e desenvolvimento de produtos específicos para tratar efeitos do emagrecimento acelerado, como estrias.

Redução do consumo de bebidas açucaradas e alimentos gordurosos é registrada em residências com pacientes em tratamento, impactando diretamente receitas do setor alimentício e a rotina de consumidores como Rafael Santos, que relata abandono de fast food, doces e bebidas alcoólicas.

Reinvenção de empresários, como Rafael Falaguasta, resulta em propostas de cardápios adaptados com preços menores e porções reduzidas, enquanto a indústria de cosméticos investe em novos produtos para atender demandas de quem emagrece rapidamente, movimento visto como desafio e oportunidade pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

O uso indiscriminado de medicamentos para perda de peso, que controlam a saciedade, está forçando uma rápida adaptação dos setores de alimentação e cosméticos no Brasil. Com a popularização de remédios como o Mounjaro, que se tornaram os itens mais importados em 2025, a redução de apetite de uma grande parcela da população já reflete em novos modelos de negócio, como rodízios com porções menores, e no desenvolvimento de produtos para tratar efeitos do emagrecimento rápido, como estrias.

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A mudança de hábito é nítida. Uma pesquisa da The Health Effect aponta que residências com pacientes em tratamento diminuem em mais de 50% o consumo de bebidas açucaradas e itens de alto teor de gordura. O reflexo é sentido diretamente no bolso de quem vive do ramo alimentício e na rotina de quem usa os medicamentos, como Rafael Santos.

"Fast food, doces, chocolates, salgadinhos, essas coisas deixaram de ser uma realidade para mim. O consumo de bebidas alcoólicas praticamente caiu a zero. Então, até uma simples ida ao bar no fim de semana deixou de existir."

Setor de alimentação se reinventa

Para empresários do setor, o momento é de recalcular a rota. Rafael Falaguasta, dono de uma pizzaria em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, fez o tratamento com canetas, mudou a forma de consumo e viu que isso também aconteceu com amigos e clientes, por conta disso resolveu agir. A ideia é criar um serviço com porções menores e um preço mais atrativo para não perder clientes.

"A gente percebeu uma queda ligeira no movimento, mas a gente tem que pensar no futuro. Lancei a ideia e, para a minha surpresa, ela foi muito bem aceita. Estamos entendendo ainda qual o melhor formato, muito provavelmente vai ser com quantidade limitada, que a pessoa pode experimentar porções menores de vários sabores."

A proposta de Falaguasta é oferecer um rodízio com valor até 50% menor que o tradicional, adaptando-se à nova realidade de consumo de parte dos clientes.

Novas demandas na indústria da beleza

O impacto não se limita ao que as pessoas comem, mas também aos efeitos que a perda de peso acelerada causa no corpo. A indústria de cosméticos já mira em soluções para esse público. O químico Lucas Gregório dos Santos explica que os próximos lançamentos do setor estão focados em produtos para lidar com estrias, uma consequência comum do emagrecimento rápido.

Segundo o especialista, clientes de diferentes partes do país buscam soluções e não hesitam em investir alto no desenvolvimento de novas fórmulas. "Vamos observar grande mudança também no cenário da cosmetologia pelos próximos meses", projeta.

Procurada pela BandNews FM, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que a transformação é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para o setor. A entidade externa preocupação com a possível redução do ticket médio, mas também vê espaço para ajustes operacionais e estratégicos.

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