Resumo
Divulgação do Banco Central apontou déficit primário de R$ 56,131 bilhões no setor público consolidado em maio, superando expectativas do mercado e indicando piora nas contas nacionais em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Comportamento recorrente de aumento do endividamento público em períodos eleitorais foi destacado pela jornalista Juliana Rosa, que associou a elevação das despesas por governos federal, estaduais e municipais ao foco eleitoral, resultando em pressão sobre inflação e manutenção de juros elevados pelo Banco Central.
Risco fiscal decorrente de medidas em debate no Legislativo e Judiciário, como "pautas-bomba" e decisões sobre limites de penduricalhos, foi ressaltado, juntamente com críticas à credibilidade das metas fiscais do governo e à existência de regras que permitem exceções e mascaram o real nível de endividamento.
O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (30), em Brasília, que o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,131 bilhões no mês de maio.
O resultado, que engloba o governo federal, estados, municípios e empresas estatais, ficou acima das expectativas do mercado financeiro e revela uma forte piora nas contas do país em relação a maio do ano anterior.
No acumulado dos últimos doze meses, o déficit do setor público está em R$ 149 bilhões, o equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ciclo de endividamento em anos eleitorais
A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, alerta que o crescimento da dívida pública é um comportamento recorrente, especialmente em períodos eleitorais.
A jornalista destacou que as esferas municipais, estaduais e a União tendem a elevar as despesas com foco na eleição, deixando em segundo plano a responsabilidade fiscal de longo prazo.
Segundo a jornalista, essa aceleração do endividamento impacta diretamente o cotidiano dos brasileiros ao pressionar a inflação e forçar o Banco Central a manter a taxa de juros elevada.
O impacto das pautas-bomba e exceções fiscais
A jornalista também chamou a atenção para o risco fiscal representado por medidas em debate no Legislativo e no Judiciário, que aumentam ainda mais a pressão sobre os cofres públicos. Ela citou as "pautas-bomba", no Senado, e o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre os recursos a respeito do limite do pagamento dos penduricalhos, que atualmente está em 35%.
Juliana Rosa criticou ainda a fidedignidade das metas fiscais apresentadas pelo governo para acalmar o mercado financeiro, classificando-as como artificiais.
Para a jornalista, as regras atuais permitem descontar diversos tipos de gastos e criar exceções que mascaram a real trajetória de endividamento.
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