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Síndrome da Impostora: empreendedoras avaliam que lidar com inseguranças é o maior desafio

Maioria das executivas teme que os colegas de trabalho não acreditem que elas são boas o suficiente

BEATRIZ MIRELLE

07/03/2025 • 14:08 • Atualizado em 07/03/2025 • 14:08

Maioria das executivas teme que os colegas de trabalho não acreditem que elas são boas o suficiente

Maioria das executivas teme que os colegas de trabalho não acreditem que elas são boas o suficiente

Pexels

Torcer muito por uma conquista e, quando consegue, pensar que não merece tanto reconhecimento ou achar que o próprio trabalho não é tão bom assim são sentimentos mais comuns do que parecem. A pesquisa "Acelerando o futuro das mulheres nos negócios", da consultoria KPMG, apontou que 56% das executivas em cargos de liderança temem que os colegas de trabalho não acreditem que elas são capazes.

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Esses sentimentos são características da Síndrome da Impostora, termo que surgiu na década de 1970. De acordo com levantamento da Universidade Americana da Geórgia, quanto mais respeitadas e bem-sucedidas, mais as profissionais se sentem inseguras.

NA PRÁTICA

A empresária Mel Luz decidiu montar a própria marca de bolsas durante a pandemia, a Yuna Luz. No início, pensar no nome e, nos moldes, planejar as cores, comprar os materiais, costurar e alimentar as redes sociais foram apenas algumas das preocupações. O maior desafio foi se sentir plenamente segura para arriscar na nova carreira.

“Eu não me permito descansar. Em relação à Yuna, eu já dei vários passos para trás por achar que não tinha espaço para mim nesse ramo. Eu me autossabotei várias vezes, pensando ‘eu não mereço essa vaga’ ou ‘eu não vou conseguir’”.

A psicóloga e psicanalista Beatriz Brito afirma que esses pensamentos reforçam uma perda de confiança em si próprio, causada pela comparação com a realidade do outro. Para as mulheres, ela avalia que as incertezas podem ser mais intensas porque esse público é constantemente sobrecarregado por responsabilidades, como cuidados da casa, casamento, filhos e outras imposições sociais, que o faz ter a causa a sensação de impressão que precisa “dar conta de tudo”.

É um questionamento bem forte em relação às conquistas e à capacidade. Quando estamos falando de um transtorno, ele é caracterizado pelo Código Internacional de Doenças (CID). A síndrome da impostora não é uma doença. Ela é uma característica que podem vir junto a um caso de ansiedade, a um quadro depressivo, mas não necessariamente você carrega esse diagnóstico para o resto da vida.

Co-fundadora da marca Amor em Pedaços Silvana Abramovay afirma que compartilhar a vivência e inseguranças com outras mulheres a fortaleceu para driblar essa percepção sobre si mesma.

Quando a gente olha alguém que, para o nosso entendimento, é melhor que a gente, não paramos para pensar qual foi o caminho que ela percorreu para chegar na posição que está. A maturidade te traz mais experiência e faz você aprender a reconhecer a própria trajetória.