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Site vende atestados médicos falsos por R$ 29 e Cremesp entra na Justiça

Plataforma usa inteligência artificial para definir diagnóstico e diz que acerto é maior do que o de consulta médica

ISADORA QUAGLIA

17/01/2024 • 19:02 • Atualizado em 17/01/2024 • 21:04

Home da plataforma alemã

Home da plataforma alemã

Reprodução

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo entrou na Justiça para tirar do ar uma plataforma que oferece atestados médicos falsos de forma online, sem necessidade de consulta.

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O site vende os documentos pelo valor de R$ 29 e diz que busca atender pacientes "incapazes de trabalhar devido a sintomas de resfriados, dores menstruais, dores nas costas, estresse, enxaquecas, cistite ou outras doenças".

Para adquirir a licença, o comprador deve responder um tipo de "questionário inteligente" de duas etapas. Na primeira, o usuário escolhe o diagnóstico e sintomas, citando também se está usando medicamentos ou se apresenta fatores de risco. Depois, é questionado o tipo de licença solicitada, a profissão e até mesmo se o empregador parece estar insatisfeito com o serviço do paciente.

O site também possibilita que a pessoa escolha a duração do atestado, com um máximo de sete dias. Depois de preenchido, o atestado é disponibilizado em PDF no e-mail do comprador em até cinco minutos.

Segundo o presidente do CREMESP essa não é a primeira vez que o conselho se depara com plataformas desse tipo. À BandNews FM, Angelo Vattimo contou que uma plataforma similar já havia sido retirada do ar há três anos.

Além da ação judicial, a entidade também fez uma nova denúncia à Procuradoria Geral da República, alegando que o site tem sede em Hamburgo, na Alemanha, e não possui representação no Brasil.

A plataforma informa que os supostos médicos vinculados ao serviço são "internacionais", e estampa na página inicial que foram feitos "3 milhões de tratamentos on-line desde 2018".

O site diz, ainda, que "o questionário gerado por especialistas usa inteligência artificial para filtrar pacientes de alto risco" e que a chance de obter um diagnóstico incorreto é menor do que o informado por um clínico geral.

Angelo Vattimo alerta gestores para se atentarem ao aspecto do documento fornecido para identificar uma possível fraude, e que é necessário "checar quem assina, número de registro e entrar no guia médico da CREMESP". Além disso, o presidente do conselho recomenda atenção caso a empresa receba vários atestados do mesmo subscritor.

Até o momento, não há sinal de médicos registrados no CREMESP que prestem serviços ao site.*Sob supervisão de Bruna Barone