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SP Boa de Garfo: a saga do Ton Hoi em SP

Do ex-pescador James Wong ao restaurante familiar, a história da colônia chinesa se mistura à gastronomia e à cidade de São Paulo

CAROLINA ERCOLIN

23/01/2026 • 11:21 • Atualizado em 23/01/2026 • 11:21

Reprodução

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O Brasil abriga hoje cerca de 280 mil chineses, a maioria concentrada em São Paulo. Essa história, que começou com os produtores de chá no século XIX, ganha rostos como o de James Wong.

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Ex-pescador, ele chegou ao país com a família, sem falar português e começou a vida lavando pratos em um restaurante paulistano. Sua sorte mudou em um dia de cozinha desfalcada e pedido fora do cardápio para um cliente exigente. “A dona do restaurante foi na cozinha e perguntou se alguém sabia fazer o prato, na ausência do chef . Nenhum dos cozinheiros na época sabiam. O meu avô, lá no fundo, levantou a mão”, revela o neto Johnny Wong.

James preparou um porco agridoce tão autêntico que surpreendeu um exigente freguês e garantiu sua promoção e uma guinada na carreira.

Segundo o atual gestor, a fama logo transformou o avô em um cozinheiro de passe valorizado no mercado. “Foi um golpe de sorte. Dá para fazer um paralelo com um jogador de futebol. Quem pagava mais contratava meu avô. A colônia chinesa logo ficou sabendo do sucesso”.

A partir dali, o patriarca passou a ser disputado por restaurantes do país e, anos depois, decidiu abrir o próprio negócio em São Paulo. Primeiro em Pinheiros, depois no Butantã.

O Ton Hoi funciona há 57 anos na avenida Professor Francisco Morato, na zona oeste, longe dos eixos gastronômicos tradicionais.

Segundo Johnny Wong, a escolha se deu por um capricho do patriarca, que gostava de pescar em Iguape. O endereço era o caminho mais rápido para a rodovia Régis Bittencourt e o litoral sul de São Paulo.

Do mar, agora, o chef-pescador pegava o peixe que abastecia as panelas da cozinha que orquestrava.

A tradição fez muitos caiçaras funcionários e que até hoje sobem a serra para trabalhar.

Aliás, em São Paulo, o setor de alimentação emprega 350 mil pessoas, número que tem crescido desde a pandemia, um divisor de águas para os empresários.

Por falar em cozinha, a do Ton Hoi lembra uma vitrine. Um vidro separa o salão das panelas. O restaurante foi o primeiro do Brasil a expor o trabalho dos bastidores na década de 90.

Tommy, o cozinheiro, filho de James, me apresentou seu palco enquanto desfilava entre altas labaredas, grandes frigideiras e panelas com água borbulhante cozinhando porções de macarrão.

Um dos pratos mais executados na cozinha do Tommy é o frango xadrez.

Já na mesa do Roberto Afuso, cliente antigo, nunca falta um clássico da culinária chinesa. O prato “Família Feliz", é uma saborosa combinação de frutos do mar, frango, carne bovina e legumes servida com arroz. “Lembra minha infância”, conta.

A tradição também se renova nas celebrações.

O Ano Novo Chinês, comemorado a partir de 17 de fevereiro, é um dos momentos mais simbólicos da casa, com pratos que carregam significados profundos: Peixe, significa abundância. Macarrão, longevidade.

A tradição também se renova nas celebrações.

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