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SP Boa de Garfo: como nasceram dois clássicos da mesa paulistana

Ponto Chic e Consulado Mineiro mostram como bares viram memória da cidade

CAROLINA ERCOLIN

22/01/2026 • 12:04 • Atualizado em 22/01/2026 • 12:04

Reprodução

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PontoChic

No final da década de 1930, Casemiro Pinto Neto, um estudante de Direito do Largo São Francisco natural de Bauru, entra em um tradicional ponto de encontro do centro da cidade e pede algo que não constava no cardápio. “Ele estava lendo um livro de nutrição da época e isso o inspirou a criar um sanduíche que representasse uma refeição completa. Então ele chamou chapeiro e pediu um prato com pão, rosbife, tomate, pepino e queijo derretido. E foi servido o sanduíche”, relata Rodrigo Alves, proprietário do Ponto Chic. “Nisso passou um outro amigo, roubou metade do sanduíche, experimentou e já logo disparou: ‘Me vê um desse aqui, igual ao do Bauru!’. E foi um sucesso imediato. Todo mundo queria experimentar o tal sanduíche do Bauru”, complementa Alves.

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Assim nasce um dos símbolos mais duradouros da culinária paulistana no Ponto Chic, criado não por um chef, mas por um cliente, em diálogo direto com o balcão e com o ritmo do Largo do Paissandu. Foi ainda por essa interação que o nome do restaurante nasceu em 1922, pouco depois da Semana de Arte Moderna, um divisor de águas na cultura brasileira.

Segundo Rodrigo Alves, que representa a 3a geração à frente do bar, o estabelecimento já era frequentado pelos modernistas e pelos boêmios da cidade, mas ainda não tinha nome. Como as instalações eram refinadas para a época, com azulejo português e mármore de Carrara, Oswald de Andrade começou a se referir ao local como “aquele ponto chique”, que foi pioneiro no funcionamento durante a madrugada.

As mesas dessa esquina pujante de São Paulo se tornaram refúgio dos estudantes na Revolução de 1932, das estrelas do rádio da década de 40. “Na década de 50 já foi o pessoal do futebol, a inauguração do Pacaembu, a Copa do Mundo. Nesta época teve início a relação próxima com a imprensa e com os jornalistas. Para conseguir uma entrevista esportiva com jogadores e dirigentes, era mais fácil os repórteres irem direto para o Ponto Chic, onde o pessoal se reunia”, lembra,

Outro ponto de encontro da cidade é o Consulado Mineiro, primeira parada de conterrâneos da cidade do fundador na década de 1990, Senador Firmino. Segundo Geraldo Magela, o restaurante nasceu da culinária feita em casa, com a feijoada como estrela.

A relação com o bairro de Pinheiros também é parte dessa história. Instalado na Praça Benedito Calixto, o Consulado acompanhou a transformação da região em polo cultural. Entre os frequentadores mais ilustres, Magela elenca os também mineiros Flávio Venturini e Lô Borges.

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